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O ex-deputado foi condenado a vinte anos e sete meses de prisão. Foto: Agência Brasil

O ex-deputado federal Pedro Corrêa, preso na 11ª fase da Operação Lava Jato, foi condenado a vinte anos e sete meses de prisão pelos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro. A sentença foi proferida nesta quinta-feira pelo juiz Sérgio Moro. O ex-deputado é acusado de ter recebido, pelo menos, R$ 11,7 milhões, desviados de contratos da Petrobras. Ele recebia propina mensalmente, que podia chegar até R$ 200 mil. Foram identificados 72 repasses para Corrêa.

Na sentença, o juiz afirmou que o mais perturbador em relação a Pedro Corrêa é que ele teria recebido propina inclusive enquanto era julgado pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal no caso do Mensalão, com registro de repasses para ele até outubro de 2012. Segundo Moro, nem mesmo um julgamento pela mais Alta Corte do país impediu a prática criminosa. Quando foi preso pela Lava Jato, em abril deste ano, ele ainda cumpria pena em regime semiaberto por ter sido condenado no Mensalão a sete anos de prisão.

De acordo com o doleiro Alberto Youssef, o ex-deputado era uma das quatro principais lideranças do PP e um dos responsáveis por distribuir os valores ilícitos para os demais políticos da legenda. Somente para a campanha eleitoral de 2010, o doleiro alega ter repassado R$ 7,5 milhões para Corrêa. Ele negocia delação premiada com a Procuradoria Geral da República e já prestou vários depoimentos em setembro. O advogado de Corrêa, Alexandre Loper, vai recorrer da sentença em busca de uma absolvição nos tribunais superiores.

Moro também deixou de condenar Alberto Youssef, porque a delação premiada dele prevê pena máxima de 30 anos de prisão somando todos os processos da Lava Jato. Até agora, o doleiro já acumula 43 anos de prisão. Por isso, novas condenações estão suspensas. O juiz também absolveu o filho e a nora do ex-deputado, Fábio e Márcia Corrêa, por falta de provas.

No mesmo processo, Sérgio Moro condenou Ivan Vernon, ex-assessor parlamentar de Corrêa, a cinco anos de prisão por lavagem de dinheiro. Ele confessou ter cedido contas para que o ex-deputado recebesse as vantagens indevidas. Raphael Ângulo Lopez, funcionário de Alberto Youssef que seria o responsável pela entrega de dinheiro para agentes públicos, foi condenado a seis anos e oito meses de prisão – mas cumprirá a pena em regime diferenciado, por ter firmado uma colaboração com o Ministério Público.

Repórter Tabata Viapiana.

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