PF deflagra operação “Resta Um”, a 33ª Fase da Lava Jato

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A Polícia Federal deflagrou na manhã desta terça-feira (02/08) a 33.ª fase da Operação da Lava Jato, denominada Operação “Resta Um”. São cumpridos, ao todo, 23 mandados de busca e apreensão, 02 de prisão preventiva, 01 mandado de prisão temporária e 06 de condução coercitiva, quando o investigado é levado a prestar depoimento.

São 150 policiais federais cumprindo os mandados em cidades nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Goiás, Pernambuco e Minas Gerais.

De acordo com o Ministério Público Federal, a finalidade dos mandados é obter provas adicionais de crimes de organização criminosa, cartel, fraudes licitatórias, corrupção e lavagem de dinheiro, relacionados a contratos firmados pela empreiteira Queiroz Galvão com a Petrobras.

Os alvos dos mandados são dirigentes e funcionários da Queiroz Galvão e do consórcio Quip S/A, do qual a empreiteira mencionada era acionista líder.

As investigações indicam que a Queiroz Galvão formou, com outras empresas, um cartel de empreiteiras que participou ativamente de ajustes para fraudar licitações da Petrobras. Esse cartel maximizou os lucros das empresas privadas e gerou prejuízos bilionários para a estatal. Além dos ajustes e fraude a licitações, as evidências colhidas nas investigações revelam que houve corrupção, com o pagamento de propina a funcionários da Petrobras. Executivos da Queiroz Galvão pagaram, segundo o Ministério Público Federal, valores indevidos em favor de altos funcionários das diretorias de Serviços e de Abastecimento da Companhia.

Ainda de acordo com o MPF, as propinas se aproximam da cifra de R$ 10 milhões. Esses crimes estariam comprovados por farta prova documental que corroborou o depoimento de, pelo menos, cinco colaboradores, sendo três deles dirigentes de empreiteiras.

A investigação também busca um aprofundamento sobre o que o MPF classifica como “fortes indícios” existentes de que milhões de dólares em propinas foram transferidos em operações feitas por meio de contas secretas no exterior. As evidências apontam que os pagamentos foram feitos tanto pela Queiroz Galvão quanto pelo consórcio Quip. A hipótese tem por base depoimentos de colaboradores e comprovantes de repasses milionários feitos pelo trust Quadris, vinculado ao Quip, para diversas contas, favorecendo funcionários da Petrobras.

As medidas deflagradas nesta terça-feira (02/08) buscam também colher provas adicionais do crime de obstrução à investigação de organização criminosa pela Comissão Parlamentar de Inquérito, a CPI da Petrobras, em 2009. Há indícios, que incluem a palavra de colaboradores e um vídeo, de que 10 milhões de reais em propina foram pagos pela Queiroz Galvão com o objetivo de evitar que as apurações da CPI tivessem sucesso em descobrir os crimes que já haviam sido praticados até então.

O Grupo Queiroz Galvão foi identificado, durante a Lava Jato, como o terceiro com maior volume de contratos celebrados com a Petrobras, alcançando um total superior a R$ 20 bilhões. O MPF lembra, ainda, que há um histórico de envolvimento do grupo com grandes esquemas de corrupção. Por exemplo, o grupo já figurou nas operações Monte Carlo, Castelo de Areia e Navalha, e tendo sido as duas últimas anuladas nos tribunais superiores.

O coordenador da força-tarefa Lava Jato em Curitiba, Deltan Dallagnol, ressaltou a gravidade da obstrução dos trabalhos de apuração de 2009, porque “a investigação da CPI era como um guardião da Petrobras. As evidências indicam que o ladrão roubou a casa e, em seguida, matou o vigia”.

Segundo a Polícia Federal, o nome da Operação, “Resta Um”, remete “tão somente ao fato de se tratar da última empresa de grande porte investigada na formação de cartel junto à Petrobras, não remetendo a um possível encerramento das investigações da Operação Lava Jato”.

Os presos nesta fase da Operação serão levados para a Superintendência da Polícia Federal, no bairro Santa Cândida, em Curitiba.



Categorias:Lava Jato

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