José Dirceu completa um ano preso com maior condenação da Lava Jato

Foto: Agência Brasil

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Considerado um dos ícones da luta contra a ditadura, o ex-ministro José Dirceu completa nesta quarta-feira um ano preso em Curitiba em decorrência da Lava Jato – apontado como um dos principais líderes do esquema de corrupção da Petrobras. Ele também acumula a maior pena da operação até agora, 20 anos e dez meses de prisão.

Foi assim que o procurador Deltan Dallaganol se referiu a José Dirceu no dia em que ele foi denunciado pela primeira vez na Lava Jato. Nesse dia 03 de agosto, o ex-ministro completa um ano na cadeia. Dirceu, na verdade, já vinha sendo investigado até antes de ser detido na 17ª fase da Lava Jato. Na ocasião, ele ainda cumpria pena em regime domiciliar em decorrência do Mensalão.

O ex-ministro foi apontado pelo procurador Carlos Fernando dos Santos Lima como um dos líderes do esquema de desvios da Petrobras e um dos responsáveis por instituir o pagamento de propina na estatal.

Ainda em agosto de 2015, logo após a prisão de Dirceu, o advogado dele, Roberto Podval, deu uma das declarações mais emblemáticas da Lava Jato ao descartar qualquer possibilidade de delação.

A primeira denúncia contra Dirceu veio no início de setembro, mesma época em que ele foi transferido da superintendência da Polícia Federal para o Complexo Médico Penal, onde permanece até hoje. A remoção foi um pedido do próprio ex-ministro.

Ele foi denunciado pelos crimes de corrupção, organização criminosa e lavagem de dinheiro. Segundo as investigações, mais de R$ 60 milhões teriam sido desviados de contratos da Engevix com a diretoria de serviços da Petrobras. Desse total, R$ 11,8 milhões foram repassados para José Dirceu.

Na coletiva de imprensa em que o Ministério Público Federal detalhou a denúncia, o procurador Roberson Pozzobon destacou a gravidade dos atos praticados pelo ex-ministro, que teria recebido valores ilícitos antes, durante e depois do julgamento do Mensalão.

A denúncia logo foi aceita pelo juiz Sérgio Moro e Dirceu virava réu novamente. As audiências começaram no início de novembro e a condenação saiu em maio deste ano. O ex-ministro recebeu a maior pena da Lava Jato até o momento: 20 anos e dez meses de prisão.

Na sentença, o juiz afirmou que o mais perturbador é que Dirceu teria praticado crimes enquanto era julgado pelo Supremo Tribunal Federal no caso do Mensalão. De acordo com Moro, nem mesmo um julgamento pela mais alta corte do país teria impedido o ex-ministro de receber propina.

A defesa criticou a condenação. Segundo o advogado Roberto Podval, o juiz foi “insensível” ao proferir a sentença. No entendimento dele, como Dirceu já tem 70 anos, uma condenação de 20 anos pode ser comparada à “prisão perpétua”.

Em 2016, Dirceu também foi denunciado pela segunda vez. Ele teria recebido mais de R$ 2 milhões em propina da empresa Apolo Tubulares, que fornecia tubos para a Petrobras. A acusação foi recebida e o processo está tramitando na Justiça Federal do Paraná, ainda em fase inicial, de manifestação prévia das defesas.

Repórter Tabata Viapiana



Categorias:Lava Jato

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