Filha do ministro da Saúde reclama das declarações do pai e diz que trabalha tanto quanto ele

Foto: Wilson Dias / Agência Brasil

Foto: Wilson Dias / Agência Brasil

O ministro da Saúde, o paranaense Ricardo Barros, disse nesta quinta-feira (12/08) que os homens vão menos aos serviços de saúde porque trabalham mais.

A declaração foi dada durante o anúncio da criação de um plano exatamente para aumentar as estatísticas de atendimento a homens na rede pública de saúde do Brasil.

O ministro Ricardo Barros, que é do Partido Progressista, classificou os homens como provedores das casas e disse que o fato de irem menos ao médico é uma questão cultural.

A declaração do ministro não é verdadeira. Pelo menos é o que mostram os dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD) de 2014. De acordo com a PNAD, as mulheres têm uma jornada semanal de quase cinco horas a mais que os homens, incluindo a jornada de trabalho doméstico. Estes dados foram amplamente repercutidos na imprensa nacional.

Lembrando que o ministro Ricardo Barros é marido da vice-governadora do Paraná, Cida Borghetti, e pai da deputada estadual Maria Victoria, do Partido Progressista.

Pois bem: após essa declaração dada ontem por ele, “choveram” questionamentos e cobranças ao ministro, especialmente na página dele no Facebook. Além, é claro, da ampla repercussão na imprensa nacional.

Talvez numa tentativa de segurar o prejuízo causado pelos possíveis danos à imagem da família, a deputada Maria Victoria, filha de Ricardo, gravou um vídeo no Facebook, com o que ela classifica como um “puxão de orelhas” no pai.

O próprio Ricardo Barros compartilhou na página dele o vídeo da filha. Em tom de revisão da própria fala polêmica, Barros disse, se referindo à esposa e à filha, que “Conhecendo o quanto vocês trabalham eu jamais diria que os homens trabalham mais que as mulheres. Quero deixar claro que eu me referia ao número de homens no mercado de trabalho, que ainda é maior.” No final deste texto ele diz que, se foi mal interpretado, pede desculpas.

Lembrando que não foi a primeira vez que o ministro Ricardo Barros deu algumas declarações, digamos, polêmicas, desde que assumiu o cargo no mês de maio. Ricardo Barros inicialmente declarou ao jornal ‘Folha de São Paulo’ que o país precisaria rever o direito de acesso universal à saúde pública, através do SUS. Depois, recuo e afirmou que é preciso rever os gastos com a Previdência, assim como ocorreu em outros países, mas não o acesso à saúde.

Depois, em julho, o ministro da Saúde, Ricardo Barros, disse em reportagem publicada pelo Estado de São Paulo que a maioria dos pacientes que procuram atendimento em unidades de atenção básica da rede pública apenas “imagina” estar doentes, mas não está. De acordo com o ministro, nessas declarações, seria uma “cultura do brasileiro” só achar que foi bem atendido quando passa por exames ou recebe prescrição de medicamentos, e esse suposto “hábito” estaria levando a gastos desnecessários no SUS (Sistema Único de Saúde).



Categorias:Política

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