Jose Dirceu arquivo epessoal

A defesa do ex-ministro José Dirceu nega que ele tenha recebido mais de R$ 2 milhões em propina de uma fornecedora de tubos da Petrobras. Dirceu é réu em um processo relacionado à 30ª fase da operação Lava Jato. As audiências da ação começaram nesta quarta-feira.

Duas testemunhas de acusação foram interrogadas nesta quarta-feira na Justiça Federal do Paraná: o lobista Milton Pascowitch e o consultor Júlio Camargo. Ambos são delatores. Foi a primeira audiência do processo, que é decorrente da 30ª fase da Lava Jato, batizada de operação “Vício”. A etapa identificou pagamentos de propina de mais de R$ 7 milhões feitos pela Apolo Tubulars, uma empresa que fornecia tubos para a Petrobras.

Entre os beneficiários do dinheiro, segundo o Ministério Público, estavam o ex-ministro José Dirceu e o ex-diretor de serviços da Petrobras, Renato Duque – ambos réus desse processo. Dirceu teria recebido propina superior a R$ 2 milhões. De acordo com as investigações, Renato Duque abriu mão de parte da propina a que tinha direito, cerca de 30%, como uma espécie de retribuição por Dirceu ter lhe indicado ao cargo de diretor de serviços da Petrobras.

Mas o advogado do ex-ministro, Roberto Podval, nega todas as acusações. Ele disse que não existia um “grupo político de Dirceu beneficiado com propina”, como aponta o Ministério Público.

O advogado disse que não conversou com Dirceu sobre o impeachment de Dilma Rousseff. O ex-ministro foi um dos fundadores do PT e uma das principais lideranças do partido. Segundo Roberto Podval, Dirceu já tem problemas demais, pois está preso em Curitiba há mais de um ano.

Dirceu já foi condenado a 20 anos e dez meses de prisão em outro processo da Lava Jato – é a maior condenação da operação até agora. A defesa ainda aguarda o julgamento de pedidos de habeas corpus. O ex-ministro é apontado como um dos líderes do esquema de desvios da Petrobras e um dos responsáveis por instituir os pagamentos de propina na estatal.

Repórter Tabata Viapiana

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