MPF denuncia executivos que pagaram propina para evitar CPI da Petrobras em 2009

lava jato imagem Polícia Federal

O Ministério Público Federal ofereceu denúncia contra executivos da Queiroz Galvão e da Galvão Engenharia. Eles são acusados de pagarem propina a parlamentares para interferir nos trabalhos da CPI da Petrobras em 2009.

Procuradores da força-tarefa Lava Jato em Curitiba ofereceram denúncia contra Ildefonso Colares Filho, ex-executivo do grupo Queiroz Galvão, e Erton Medeiros, da Galvão Engenharia, alvos da 33ª fase da operação deflagrada em agosto deste ano e batizada de “Resta Um”. Eles foram acusados pelo crime de corrupção ativa pelo oferecimento de R$ 10 milhões em propina, no segundo semestre de 2009, ao então senador Sérgio Guerra (PSDB-SP, falecido em 2010) e ao deputado federal Eduardo da Fonte (PP-PE) para que a CPI da Petrobras, instalada no mesmo ano, não tivesse resultado efetivo.

A CPI tinha o objetivo de apurar, no prazo de 180 dias, irregularidades envolvendo a Petrobras e a Agência Nacional de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o que acabou não acontecendo. Um relatório do Tribunal de Contas da União apontou superfaturamento de mais de R$ 58m milhões em obras da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, num consórcio em que a Galvão Engenharia e a Queiroz Galvão faziam parte.

Os delatores Paulo Roberto Costa, ex-diretor da Petrobras, e o lobista Fernando Soares, o Baiano, detalharam uma reunião com a presença dos executivos e dos parlamentares para acertar o pagamento da propina. Os valores foram retirados da cota destinada ao PP em contratos da diretoria de abastecimento da estatal. A força-tarefa também teve acesso a outras provas que comprovaram a realização da reunião em 2009, incluindo gravações em que Ildefonso Colares manifeste interesse em “dar um suporte” a Sérgio Guerra.

Como resultado, o relatório final da CPI da Petrobras em 2009 não indiciou ninguém ou sequer mencionava as empresas Queiroz Galvão e Galvão Engenharia. Além disso, a apuração parlamentar concluiu que “o conjunto de indícios de irregularidades apontados pelo TCU nas obras da Refinaria Abreu e Lima, depois da análise empreendida pela CPI, mostrou-se inconsistente”. Para a força-tarefa, a CPI não chegou a resultados efetivos devido ao grande esquema criminoso que já existia na época dentro da Petrobras.

Além da denúncia pelo crime de corrupção ativa, os procuradores ainda pedem a fixação de R$ 10 milhões como valor mínimo para reparação dos danos causados. A denúncia ainda precisa ser aceita pelo juiz Sérgio Moro para que os executivos virem réus da Lava Jato.

Repórter Tabata Viapiana



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