Em depoimento a Moro, Marcos Valério confirma chantagem ao PT

marcos valério

O advogado responsável pela defesa do publicitário Marcos Valério no Mensalão veio a Curitiba para demonstrar aos procuradores da Lava Jato o interesse em firmar um acordo de delação premiada.

Desde 2012, logo após a condenação no caso do Mensalão, o publicitário Marcos Valério tenta firmar uma delação premiada com o Ministério Público de Minas Gerais, onde está preso atualmente. Mas, de acordo com a defesa, as negociações estariam emperradas. Por isso, o advogado Jean Kobayashi veio a Curitiba pedir ajuda ao juiz Sérgio Moro e aos procuradores da Lava Jato para que o acordo, enfim, seja assinado. Ele disse que o publicitário pode apresentar novos nomes de políticos envolvidos na corrupção na Petrobras.

O publicitário foi interrogado ontem pelo juiz Sérgio Moro e afirmou, ao final da audiência, que também estaria disponível para negociar uma colaboração no âmbito da Lava Jato. Ele não se negou a responder as perguntas do juiz. Segundo Marcos Valério, em 2004, no empresário Ronan Maria Pinto, dono do Diário do Grande ABC, teria chantageado representantes do PT, como Lula e José Dirceu, exigindo R$ 6 milhões. Ele disse que soube da extorsão através do ex-secretário geral do partido, Silvio Pereira.

Ao ser questionado pelo Ministério Público o motivo da chantagem, Marcos Valério não quis dar detalhes – apenas disse que, ao saber da extorsão, desistiu de intermediar o repasse do dinheiro a Ronan Maria Pinto, que também é réu no mesmo processo. Na época, havia suspeita de que o empresário teria informações para ligar o PT à morte do então prefeito de Santo André, Celso Daniel.

Na mesma audiência, o juiz Sérgio Moro também interrogou o ex-tesoureiro do PT, Delúbio Soares. Ele é acusado de participar de encontros para acertar os destinatários do dinheiro – mas negou qualquer envolvimento no esquema.

O processo é decorrente da 27ª fase da Lava Jato e apura os beneficiários do empréstimo fraudulento de R$ 12 milhões, feito pelo pecuarista José Carlos Bumlai junto ao Banco Schahin em 2004, para repassar ao PT. Metade do dinheiro foi para quitar dívidas de campanhas eleitorais do PT em Campinas. Os outros R$ 6 milhões foram para o empresário Ronan Maria Pinto, segundo a denúncia.

Repórter Tabata Viapiana



Categorias:Lava Jato

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