Foto: Vladimir Platonow / Agência Brasil
Foto: Vladimir Platonow / Agência Brasil

O procurador Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa da Lava Jato no Ministério Público Federal, disse que encarou com “naturalidade” as críticas feitas pelo ex-presidente Lula à denúncia de que seria o “comandante do esquema de corrupção da Petrobras”.

Durante uma palestra em Curitiba nesta quinta-feira, Deltan Dallagnol evitou comentários sobre o pronunciamento do ex-presidente Lula no início da tarde. O petista não poupou críticas à força-tarefa da Lava Jato no Ministério Público Federal após ser formalmente denunciado por corrupção e lavagem de dinheiro, além de ser apontado pelos procuradores como o “comandante máximo do esquema de corrupção da Petrobras”.

Sem citar diretamente o nome do ex-presidente, Deltan Dallagnol disse apenas que encara com naturalidade as críticas feitas por investigados da Lava Jato.

Em um tom bem mais leve em relação à coletiva de imprensa da última quarta-feira, em que usou palavras duras para se referir à atuação de Lula na Lava Jato, Deltan Dallagnol até brincou com a platéia no início da palestra. O procurador disse que não usaria slides para discursar no evento. Isso porque, os slides apresentados pelo MPF na coletiva, e que mostravam Lula no centro do esquema de desvios da Petrobras, foram alvo de piadas nas redes sociais.

O procurador também negou, mais uma vez, a existência de motivações políticas na Lava Jato. Ele disse que a investigação “levanta ânimos e acende paixões”.

Deltan não comentou durante a palestra sobre a frase atribuída a ele de que o MPF não “tinha provas, mas convicção” do envolvimento de Lula na operação Lava Jato. Ele usou as redes sociais para negar que a frase tenha sido dita na coletiva de quarta-feira. E, de fato, isso não foi falado por nenhum dos procuradores.

A frase foi compartilhada inúmeras vezes na internet, mas não é verdadeira. Foi uma junção de dois momentos diferentes da apresentação da força-tarefa. O primeiro, do próprio Deltan, em que ele diz que as provas coletadas até o momento dão convicção de que Lula chefiava o esquema criminoso da Petrobras.

O segundo momento foi quando o procurador Roberson Pozzobon disse que não seriam apresentadas “provas cabais”, no papel, de que Lula era o verdadeiro dono do triplex no Guarujá, alvo da denúncia. Isso porque, segundo Roberson, justamente o fato de ele não figurar como proprietário é uma forma de ocultação e lavagem de dinheiro.

Repórter Tabata Viapiana

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