Ouro paralímpico, Maurício ‘Dumbo’ chega a Curitiba

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Com a medalha de ouro no peito, o paratleta Maurício “Dumbo” chegou a Curitiba nesta terça. O jogador da seleção brasileira de futebol de 5 nasceu em Angola, se naturalizou brasileiro e hoje mora na capital paranaense.

Apesar de ter nascido em Angola, foi no Brasil que Maurício Tchope, conhecido como “Dumbo” descobriu o futebol. Refugiado de guerra, o paratleta perdeu a visão quando uma bomba explodiu e ele foi atingido pelos estilhaços.

No país de origem, já tinha ouvido falar do esporte, mas só em Curitiba descobriu que, mesmo sem enxergar, poderia marcar gols. Quando desembarcou no Aeroporto Afonso Pena, nesta terça feira (20), o paratleta confessou: o coração dele, assim como o ouro, é brasileiro.

Maurício aprendeu o esporte quando ainda morava no Instituto Paranaense de Cegos, em Curitiba. Ele, e vários outros jovens, vieram ainda crianças para o Brasil por meio de um programa do Governo Federal de Angola. Todos são cegos. O projeto concedeu uma bolsa de estudos para que, no Brasil, aprendessem o braile, informática e outros conhecimentos.

O angolano fez parte da seleção de futebol de 5 na conquista do tetracampeonato por um a zero sobre o Irã. Desde que a modalidade virou esporte paralímpico, nos jogos de Atenas em 2004, o Brasil nunca perdeu uma partida. No futebol de 5, todos os atletas têm deficiências visuais. O campo é menor e a bola contém guizos na parte de dentro que fazem barulho e orientam os jogadores.

O amigo Prudêncio Tumbika acompanha a trajetória do paratleta desde que os dois chegaram de Angola no mesmo avião, em 2001. O angolano é cego como Maurício e conta que deram juntos os primeiros passes no futebol adaptado.

Além de Prudêncio, outros integrantes da comunidade angolana de Curitiba e vários amigos de Maurício foram recepcionar o medalhista no aeroporto. A emoção era grande. Ansiosos pela chegada do paratleta, o grupo mostrou a força da torcida que já se considera brasileira.

Até 2011, o grupo de angolanos moravam no próprio Instituto Paranaense dos Cegos. Ao longo dos anos, estudaram, conseguiram diplomas do ensino superior e hoje, já independentes, moram em repúblicas. A Sônia Moura acompanhou toda essa jornada, inclusive no Rio de Janeiro. Voluntária no instituto, ela conheceu Maurício no dia em que ele chegou em Curitiba.

Após enfrentar dezenas de dificuldades, 2016 foi um ano de conquistas para Maurício. Conquistas que vão muito além da medalha de ouro.

Do aeroporto, o jogador desfilou em um carro do Corpo de Bombeiros por Curitiba. A primeira parada foi no Instituto Paranaense dos Cegos. De lá, foi para o Tribunal de Justiça do Paraná onde trabalha e terminou o trajeto no local onde mora, no Centro Cívico.

Torcer não bastou para o angolano Prudêncio Tumbika que chegou a compor uma música em homenagem a seleção brasileira de futebol de 5.

Repórter Ana Krüger



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