Moro revoga prisão temporária de Guido Mantega apenas cinco horas após ele ser detido

Foto: EBC

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O juiz Sérgio Moro revogou a prisão temporária do ex-ministro da Fazenda, Guido Mantega, que tinha sido detido no início da manhã, durante a 34ª fase da operação Lava Jato, batizada de “Arquivo X”. Mantega é acusado de pedir propina ao empresário Eike Batista para quitar dívidas de campanhas eleitorais do Partido dos Trabalhadores.

O ex-ministro da Fazenda, Guido Mantega, foi preso na manhã de hoje na 34ª fase da Lava Jato, batizada de “Arquivo X”. Ele foi detido num hospital de São Paulo, onde acompanhava a esposa em uma cirurgia. Apenas cinco horas depois, enquanto Mantega ainda estava na sede da PF em São Paulo aguardando a transferência para Curitiba, o juiz Sérgio Moro decidiu revogar a prisão temporária por causa do estado de saúde da esposa dele.

Como a Polícia já tinha realizado buscas na casa do ex-ministro, Moro entendeu que não há mais risco de interferência na colheita de provas. Por isso, mandou soltar Guido Mantega.

A nova etapa da Lava Jato apura irregularidades na construção de duas plataformas para a exploração de petróleo na camada do pré-sal. Em 2012, as empresas Mendes Junior e OSX formaram um consórcio que fechou um contrato com a Petrobras, de mais de 900 milhões de dólares, para a construção das plataformas.

As investigações apontaram que as empresas não teriam experiência, estrutura ou tradição no mercado para assinar o contrato. Para formar o consórcio, houve pagamentos de propina, segundo o delegado Igor Romário de Paula.

São três frentes de investigação. A primeira trata de repasses de R$ 7 milhões da Mendes Junior por meio do operador João Henriques, ligado ao PMDB e que atuava na diretoria internacional da Petrobras. Na segunda linha, são investigados pagamentos de R$ 6 milhões em propina para o ex-ministro José Dirceu e empresas ligadas ao ex-deputado André Vargas.

A terceira envolve Guido Mantega. O empresário Eike Batista, ex-presidente da OSX, afirmou, em depoimento ao Ministério Público, que recebeu um pedido de Mantega para que fizesse um pagamento de R$ 5 milhões ao PT. Eike Batista disse que firmou um contrato falso com uma empresa de Mônica Moura, marqueteira do PT já denunciada na Lava Jato.

A transferência de mais de dois milhões de dólares, entre contas de Eike Batista para as de Mônica Moura, foi feita em abril de 2013. Segundo o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima, a suspeita é que o dinheiro tenha sido utilizado para quitar uma dívida da campanha da ex-presidente Dilma em 2010.

O MPF chegou a pedir a prisão preventiva de Guido Mantega, mas o juiz Sérgio Moro decretou apenas a temporária, que tem prazo de cinco dias. A medida seria importante para esclarecer o papel do ex-ministro no esquema. Carlos Lima falou que a “ação de Mantega se soma a um quadro geral de corrupção no Governo Federal”.

Eike Batista prestou o depoimento ao Ministério Público de maneira espontânea e é considerado testemunha da Lava Jato. Ele não foi alvo de medidas da etapa de hoje. Na OSX, a PF cumpriu um mandado de busca e apreensão. De acordo com o procurador, Eike detalhou o pedido feito por Guido Mantega e apresentou documentos. A investigação ainda será aprofundada, mas a força-tarefa acredita que o empresário tinha conhecimento dos pagamentos de propina da OSX no contrato de construção das plataformas.

Ao todo, foram cumpridos 33 mandados de busca e apreensão, oito de condução coercitiva e sete de prisão temporária em seis estados. Um investigado está na Espanha e ainda não foi localizado.

Repórter Tabata Viapiana



Categorias:Lava Jato

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