Palocci atuou em favor da Odebrecht, e em troca, PT recebeu R$ 128 milhões, diz MPF

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Crédito: Agência Brasil

O ex-ministro da Fazenda e da Casa Civil, Antônio Palocci, foi preso na 35ª fase da Lava Jato, batizada de “operação Omertà”. Ele é acusado de atuar de forma direta para propiciar vantagens econômicas à Odebrecht em diversas áreas de contratação com o poder público.

Antônio Palocci foi preso no início da manhã, em São Paulo. O mandado judicial é de prisão temporária, ou seja, com validade de cinco dias. A Polícia Federal chegou a pedir a preventiva, quando não há prazo para soltura, o que foi negado pelo juiz Sérgio Moro. A nova etapa da Lava Jato apura indícios de uma relação criminosa entre Palocci e a maior empreiteira do país, a Odebrecht.

Palocci teria atuado em favor da empresa, segundo a força-tarefa, para obtenção de contratos com a Petrobras de aquisição de sondas do pré-sal, para aprovação de uma medida provisória destinada a conceder benefícios tributários à Odebrecht; em negócios envolvendo o programa de desenvolvimento de submarino nuclear – o PROSUB, e no financiamento do BNDES para obras em Angola.

De acordo com a procuradora Laura Tessler, foi identificada uma atuação constante e reiterada de Palocci no sentido de beneficiar a Odebrecht em contratos com o Governo Federal. Planilhas apreendidas em fases anteriores da Lava Jato apontam pagamentos de propina de R$ 128 milhões da empreiteira para o PT. Há também R$ 70 milhões identificados na planilha, mas ainda não há comprovação se foram de fato repassados.

A força-tarefa acredita que a grande maioria dos R$ 128 milhões foi para o próprio PT, mas há possibilidade que Palocci também tenha recebido valores para proveito pessoal. Os pagamentos eram feitos não apenas em anos de eleições, mas fora desse período também.

O ex-ministro era visto por executivos da Odebrecht como uma pessoa com forte influência na Petrobras e, portanto, poderia resolver problemas da empresa junto à estatal. O MPF tem comprovação de quase 30 encontros entre o ex-ministro e executivos da Odebrecht, incluindo Marcelo Odebrecht, presidente licenciado da construtora, no escritório e até na casa de Palocci. Depois da deflagração da Lava Jato, as negociações de propina continuaram sendo feitas, mas através de conversas criptografadas.

Marcelo Odebrecht também tem papel importante no esquema. De acordo com o delegado Fillipe Pacce, ele dava a palavra final nos repasses de propina da empresa em vários contratos, que vão muito além da Petrobras.

Parte dos R$ 128 milhões identificados nas planilhas da Odebrecht teria sido destinada à compra de um terreno em São Paulo para a construção de uma nova sede do Instituto Lula. De acordo com a procuradora Laura Tessler, Palocci participou ativamente da negociação pelo terreno, que foi adquirido por R$ 12 milhões.

Outro núcleo da investigação da etapa apura pagamentos efetuados pelo chamado “setor de operações estruturadas” do Grupo Odebrecht para diversos beneficiários, que foram alvos de buscas e conduções coercitivas. O departamento foi criado para organizar os repasses de propina dentro da empresa.

Ao todo, a PF cumpriu 27 mandados de busca e apreensão, três de prisão temporária e 15 de condução coercitiva em sete estados. Além de Palocci, foram detidos dois ex-assessores dele que intermediavam pagamentos ilícitos. A etapa foi batizada de “Omertà” por causa do codinome que a Odebrecht usava para se referir a Palocci, chamado de “italiano” nas planilhas apreendidas.

Repórter Tabata Viapiana



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