Em longo depoimento à PF, Palocci nega atuação para favorecer Odebrecht

Foto: Tabata Viapiana / CBN Curitiba

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Em depoimento à Polícia Federal que durou mais de quatro horas, o ex-ministro Antônio Palocci negou envolvimento com o esquema de corrupção da Petrobras. Ele disse que não recebeu propina em nome do PT e nem atuou em favor da construtora Odebrecht.

Palocci respondeu todas as perguntas do delegado Fillipe Pacce em mais de quatro horas de interrogatório. Ele negou ter recebido da Odebrecht R$ 128 milhões em propina em nome do Partido dos Trabalhadores e disse que não atuou para favorecer a empreiteira em negócios com o Governo Federal.

Uma das acusações da Lava Jato é de que Palocci teria agido para transformar uma medida provisória em projeto de lei, o que concederia benefícios tributários à Odebrecht. Segundo o advogado José Roberto Batocchio, o ex-ministro votou contra a aprovação da proposta, e ao ser derrotado no Congresso, pediu ao ex-presidente Lula que vetasse o texto.

Palocci também negou ter atuado pela Odebrecht na aquisição de contratos com a Petrobras e no aumento da linha de crédito junto ao BNDES. A defesa, aliás, disse que o ex-ministro era um “inimigo ferrenho das atividades do BNDES”. A PF acredita ainda que Palocci era identificado como “italiano” nas planilhas do “setor de operações estruturadas” da Odebrecht, o departamento responsável pelos repasses de propina.

Segundo a defesa, o mesmo codinome “italiano” era, muitas vezes, usado como “Itália”. No entendimento de Batochio, a sigla se referia a uma mulher e, portanto, não poderia ser Palocci.

O advogado disse que Palocci se reunia com executivos da Odebrecht, incluindo o presidente Marcelo Odebrecht, pois ocupou o ministério mais importante do país, que é o da Fazenda – o que não significa que os encontros tratavam de pagamentos ilícitos. Batochio falou ainda em “caça às bruxas”.

O mandado de prisão temporária contra Palocci vence nesta sexta-feira. A Polícia e o Ministério Público podem pedir a prorrogação das temporárias por mais cinco dias ou a conversão para prisão preventiva, por tempo indeterminado. Se não houver manifestação, ele pode ser solto. A decisão será do juiz Sérgio Moro.

Repórter Tabata Viapiana



Categorias:Lava Jato

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