De acordo com os números divulgados pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE), não compareceram para votar em Curitiba 211.952 eleitores, uma abstenção de 16,44%. Outros 51.495 eleitores votaram em branco, 4,78% do total. 96.901 anularam, ou 9%. No total são 360.348 pessoas que invalidaram os votos ou não foram às urnas no último domingo.

Sobre a votação dos candidatos, o primeiro colocado, Rafael Greca (PMN), teve a preferência de 38,38% do eleitorado, ou seja, 356.539 votos.

Ney Leprevost (PSD) teve 219.727, o equivalente a 23,66% dos votos válidos. Gustavo Fruet (PDT), que tentava a reeleição, recebeu 186.067 votos, ou 20,03%.

Maria Victória (PP) apareceu na quarta posição com 52.576. Requião Filho (PMDB) teve 52.017 votos, Tadeu Veneri (PT) teve 39.758, Ademar Pereira (PROS) teve 11.489 e Xênia Mello (PSOL) recebeu 10.683. Já Afonso Rangel (PRP) não teve os votos computados porque a candidatura dele foi impugnada.

A título de comparação: abstenções, brancos e nulos superaram a votação de todos os candidatos que disputaram a prefeitura no primeiro turno.

Só o índice de abstenções e votos nulos foi maior do que a votação da quarta colocada, Maria Victória. Só os votos em branco superaram a votação do sexto colocado, o candidato do PT, Tadeu Veneri.

A descrença dos eleitores não foi exclusividade de Curitiba. Em outras capitais ocorreu o mesmo. Em Porto Alegre, Campo Grande, Belo Horizonte, Cuiabá e Aracaju, abstenções e votos inválidos superaram a votação do primeiro colocado.

Em São Paulo, João Dória (PSDB) foi eleito no primeiro turno, com 3.085.187 votos. Nulos, brancos e abstenções somaram 3.096.304.

No Rio de Janeiro o fenômeno foi ainda mais acentuado. Os dois candidatos que disputarão o segundo turno, Marcelo Freixo (PSOL) e Marcelo Crivella (PRB) tiveram juntos 1.395.625 votos contra 1.866.621 de votos inválidos e abstenções.

Outras grandes cidades do Paraná também registraram situações parecidas, como Ponta Grossa, Londrina e Maringá. Já em Matinhos, no litoral do estado, mais de um quarto dos eleitores não apareceu ou invalidou o voto.

Para o professor de ciências políticas da PUC-PR, Luiz Domingos Costa, alguns fatores contribuíram para o fenômeno. Um deles foi a nova legislação eleitoral que limitou a campanha nas ruas e também nos veículos de comunicação.

Outro fator, segundo Luiz Domingos Costa, é o próprio sistema político brasileiro.

Repórter Fábio Buchmann

Deixe seu comentário