Coluna de Renato Follador: a lenta partida dos pais

Em boa parte de nossa existência cultivamos as imagens do pai-herói e da mãe rainha do lar.
Um belo dia eles começam a parecer alienados, repetem as mesmas histórias e têm dificuldades de concluir as frases.
O que mudou no pai e na mãe de uma hora para outra?
Ora, envelheceram. Perderam o garbo e a vitalidade. Estão mais frágeis, vulneráveis e esquecidos.
No fundo, cansaram de servir de exemplo e de cuidar dos outros. Agora querem ser cuidados e mimados. Nem que precisem fazer uma chantagenzinha emocional.
Não fazem mais planos a longo prazo. Acomodam-se na rotina e não se empolgam mais com as novidades. Aventuras, só as pequenas, como pegar escondido guloseimas que o médico proibiu.
É, relutamos em aceitar o ciclo de vida, ver que nossos pais já não estão no controle da situação, não são indestrutíveis, como os super-heróis.
Insistimos para que tudo siga como sempre foi porque, no fundo, temos medo. Medo de perdê-los.
E, talvez, medo de perdermos a lucidez e a jovialidade. De nos enxergarmos amanhã nos idosos de hoje.
Quando faltar paciência para cuidar de um pai idoso, lembre da paciência que ele teve para te ensinar a andar, falar, de passar noites em claro com você no colo, de largar tudo para brincar com você. De estar ao teu lado quando você errou na vida.
Porque quando um pai se torna criança é nossa hora de nos tornarmos pai de nossos pais.



Categorias:Renato Follador - Previdência

1 resposta

  1. Excelente reflexão!

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