Greca fala em R$ 1,27 bilhão em dívida herdada de Fruet e aponta indícios de crimes de responsabilidade

Foto: Cristina Seciuk

Foto: Cristina Seciuk

O balanço da saúde financeira da cidade foi apresentado em coletiva de imprensa realizada nesta segunda-feira (30).

Conforme o levantamento realizado pela equipe da Secretaria de Finanças, a dívida atual é três vezes maior do que aquela que foi encontrada por Fruet em 2013.

Do total, R$ 826 milhões é a fatia referente a valores devidos a fornecedores, R$ 358 milhões em restos a pagar de 2016 que não foram empenhados, ou seja, não teriam previsão legal.

Ao analisar o quadro, o prefeito falou em situação caótica e em falta de gestão. A partir do resultado, a procuradoria do município deve dar seguimento a ações para que sejam investigados possíveis crimes de responsabilidade.

Ainda conforme o levantamento realizado, os gastos com pessoal cresceram 70% durante o mandato anterior, contra apenas 28% de aumento na receita corrente líquida, o que teria agravado a situação, de acordo com o secretário das Finanças, Vitor Puppi.

Para ilustrar a realidade financeira do município, a equipe de Greca usou uma tela de Power Point, com clara alusão à outra que foi usada pela força-tarefa da Lava Jato em denúncia contra o ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva.

Na projeção, um círculo vermelho, com os dizeres “Gestão Fruet” era rodeado de outros, que indicavam pontos como o rombo de R$ 400 milhões com a previdência dos servidores, o aumento de despesas, supostos desrespeitos à Lei de Responsabilidade Fiscal, dentre outros.

Greca, que desde a posse reclama de uma transição sôfrega e ineficaz, agora defende a necessidade de medidas amargas para equilibrar os cofres. Apesar de não dar detalhes sobre o que será feito, o prefeito afirmou que um pacote de ajuste deve ser encaminhado para a Câmara até meados de fevereiro.

Sobre possíveis impactos para a gestão, Greca foi breve no comentário:

Para já, as dívidas herdadas começarão a ser quitadas a partir dos credores menores e o prefeito prometeu que contas da atual gestão serão pagas em dia, assim como os vencimentos dos servidores e dos aposentados.

O ex-prefeito Gustavo Fruet divulgou uma nota rebatendo as acusações. Leia a nota na íntegra:

Estão criando justificativas para não cumprimento das promessas inexequíveis de campanha.

Ao longo do processo eleitoral, enquanto muitos prometiam terreno na lua, sempre mantive a responsabilidade em relação ao momento econômico do país, que impõe sérias restrições às administrações municipais. 
Essa responsabilidade contribuiu para nossa derrota nas eleições. Mas sigo em paz por ter trabalhado sempre com a verdade.

Mesmo administrando a cidade em meio a pior crise econômica da história recente, com três anos de queda no PIB, deixamos a Prefeitura com dívida semelhante a que assumimos corrigida pela inflação e destaquei isso no processo eleitoral! Tudo regularmente informado aos órgãos de controle.

Se não tivéssemos herdado um passivo superior a meio bilhão de reais, teríamos entregado sem dívidas. E não misturamos, com clara má-fé, dívida flutuante, fundada e não empenhada como apresentada na coletiva desta tarde.

Importante destacar que em quatro anos, saímos de um déficit primário de R$ 40 milhões (2012) para um superávit primário superior a R$ 400 milhões. Além disso, na gestão 2013/2016, por força de uma Lei proposta e aprovada em 2008 durante a gestão Beto Richa que estava em débito com o Instituto de Previdência dos Servidores (IMPC), repassamos ao IPMC 70% do volume total existente no fundo, que saltou de R$ 900 milhões (dezembro 2012) para R$ 2,3 bilhões (dezembro 2016).

Na parte de pessoal respeitamos o preconizado pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) e os limites prudenciais. Com responsabilidade, cortamos excessos e gorduras e economizamos mais de R$ 1 bilhão em despesas de custeio. Extinguimos cinco Secretarias, entre elas a da Habitação.

Herdamos uma estrutura inchada e comprometida. No Instituto Curitiba de Saúde (ICS), por exemplo, mudamos a gestão e saneamos as finanças. Em outra frente, atuamos também no incremento de receitas, que garantem, somente em 2017, R$ 300 milhões extras para os cofres da cidade, com a revisão da planta genérica – que não era feita há 13 anos – e modernização da administração tributária.

Também deixamos mais de R$ 400 milhões em caixa em recursos carimbados em diferentes fontes.
Não é por acaso que todas essas “denúncias” surgem às vésperas do provável aumento da tarifa de ônibus.

Esse filme a cidade já conhece.

Por fim, aproveito a ocasião para lembrar que, às promessas não cumpridas, soma-se a de abrir a chácara após as eleições para perícia e acompanhamento da imprensa nas obras de arte suspeitas de serem do acervo da Prefeitura.

Repórter Cristina Seciuk



Categorias:Cidade, Política

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