Em depoimento de três horas a Moro, Cunha diz que tem aneurisma e nega propina

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O deputado cassado Eduardo Cunha prestou depoimento ao juiz Sérgio Moro por cerca de três horas nesta terça-feira. Apesar de ter o direito de ficar em silêncio, Cunha optou por responder todas as perguntas. Somente o juiz interrogou o ex-deputado por cerca de uma hora e meia. Em seguida, vieram os questionamentos do Ministério Público Federal, e por fim, da defesa. Moro ainda pediu a palavra novamente para mais alguns esclarecimentos.

Ao final da audiência, Cunha leu uma carta escrita de próprio punho em que afirmou sofrer de um aneurisma cerebral semelhante ao da esposa do ex-presidente Lula, Marisa Letícia, que morreu na semana passada. Segundo o ex-deputado, o presídio em que está não tem condições para o tratamento médico adequado.

O ex-deputado também demonstrou receio com uma eventual rebelião no Complexo Médico Penal, em Pinhais, na região metropolitana de Curitiba.

Com uma grande quantidade de papeis relacionados ao processo, Cunha também negou as acusações do MPF de que recebeu cinco milhões de dólares em propina. De acordo com a força-tarefa da Lava Jato, o valor teria sido desviado de um contrato da Petrobras para exploração de petróleo em Benin, na África. Cunha ainda teria mantido o dinheiro em uma conta secreta na Suíça.

Em alguns momentos da audiência, Moro chamou atenção do ex-deputado, que estaria repetindo algumas informações e prolongando ainda mais a duração do interrogatório.

Cunha também pediu que Moro refletisse sobre a necessidade de mantê-lo preso. O político está detido desde outubro do ano passado. A defesa informou que deve protocolar um pedido de prisão domiciliar, que até poderia ser cumprida em Curitiba, em função do aneurisma cerebral do ex-deputado.

O advogado de Cunha, Marlus de Oliveira, considerou a audiência positiva e disse que vai trabalhar pela soltura do cliente. E também descartou a possibilidade de Cunha assinar delação premiada.

O depoimento do ex-presidente da Câmara faz parte da etapa final do julgamento do processo. Agora, o juiz abre um prazo para as alegações finais do MPF e da defesa de Cunha, único réu da ação penal. Em seguida, a sentença já pode ser proferida – o que deve acontecer ainda no primeiro semestre deste ano.

Repórter Tabata Viapiana



Categorias:Lava Jato

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