Foto: Tabata Viapiana

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A Operação Research, deflagrada pela Polícia Federal nesta quarta-feira, identificou desvios de aproximadamente R$ 7,5 milhões dos cofres da Universidade Federal do Paraná. Segundo as investigações, entre 2013 e 2016, foram realizados pagamentos fraudulentos de auxílio à pesquisa e bolsas de estudo a diversas pessoas que não eram nem professor, servidor ou aluno da UFPR.

Ao todo, 29 pessoas foram presas temporariamente, por cinco dias – são duas funcionárias da universidade e 27 beneficiários das bolsas de estudo. Uma das servidoras já tinha sido denunciada em 2008 por peculato e fraude a licitação, mas acabou absolvida. O delegado da PF, Felipe Hayashi, afirmou que dinheiro público que devia ter sido aplicado em estudos e pesquisas acadêmicas foi repassado para pessoas que não tinham vínculo algum com a Universidade.

Os repasses mensais aos beneficiários eram superiores ao valor médio que a UFPR paga por uma bolsa de estudo. Nem mesmo os professores mais graduados recebiam valores tão altos quanto os 27 presos da operação Research. Alguns receberam, em três anos, mais de R$ 500, 600 e até 700 mil.

Entre os 27 destinatários do dinheiro, não há nenhum pesquisador de fato e apenas dois possuem curso superior. Há motoristas, cozinheiros, artesãos, cabeleireiro, beneficiários do Bolsa-Família e amigos das duas servidoras presas.

A Polícia, no entanto, não fala em “laranjas”. Segundo Felipe Hayashi, é preciso aprofundar as investigações para comprovar os destinatários finais do dinheiro.

O delegado afirmou que ainda será investigado o envolvimento de diretores, pró-reitores e até de pessoas ligadas à própria reitoria da UFPR, já que pró-reitores assinaram os processos que liberavam as bolsas de estudo fraudulentas. Por enquanto, segundo Hayashi, é cedo para afirmar que a reitoria sabia do esquema.

Em nota, a UFPR defendeu que ela mesma denunciou a fraude à Polícia Federal. Mas o secretário do Tribunal de Contas da União no Paraná, João Manoel Dionísio, disse que a investigação começou pelo próprio TCU.

O delegado Igor Romário de Paula afirmou que a investigação já estava em andamento quando a UFPR procurou a Polícia. Ainda segundo o delegado, se houvesse ferramentas efetivas de controle interno na instituição, fraudes como essa não existiriam.

Os investigadores também fizeram inúmeras críticas ao esquema e falaram dos prejuízos à comunidade acadêmica.

A ação foi realizada pela PF em conjunto com a Controladoria Geral da União e o Tribunal de Contas da União. Foram cumpridos ao todo 29 de prisão temporária, oito de condução coercitiva e 36 de busca e apreensão no Paraná, Mato Grosso do Sul e Rio de Janeiro.

 

Repórter Tabata Viapiana

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