Foto: Cristina Seciuk
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O reitor falou sobre a fraude e as investigações que estão em curso em entrevista coletiva realizada nesta quinta-feira (16). Ricardo Fonseca frisou que a Universidade e órgãos externos a ela dispõem de ferramentas de controle, mas que essa cadeia de fiscalização possui falhas, o que permitiu que elas fossem burladas.

Conforme o reitor, a fraude se dava no momento da instrução dos pagamentos das bolsas e auxílios à pesquisa. Esse procedimento é feito mensalmente e por meio de notas de empenho que incluem centenas de nomes.

Segundo a universidade, as servidoras em questão tinham cargos de confiança justamente para ter acesso ao Siafi, que é o Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal. Por meio dele os pagamentos são organizados e então os trâmites seguem para as instâncias superiores.

A relação enviada – por exemplo – ao pró-reitor para autorizar os pagamentos deveria ser igual àquela que consta do sistema, mas ela não é gerada automaticamente: as funcionárias tinham que lançar manualmente os dados. Era aqui que a irregularidade acontecia.

Para o reitor as funcionárias se aproveitaram da função e abusaram da confiança que tinham após décadas de serviço.

Ricardo Fonseca fez questão ainda de destacar que não há – até o momento – nada que produza desconfiança em torno de outros profissionais da Universidade e defendeu os oito servidores da instituição que foram alvo de conduções coercitivas durante a operação.

De acordo com as informações da reitoria, o valor desviado entre 2013 e 2016 – apontado em mais de R$ 7 milhões – representa 1% do orçamento total destinado à pesquisa no mesmo período, que foi de R$ 725 milhões.

Ricardo Fonseca (que assumiu o cargo em meados de dezembro) ainda reforçou o choque e a indignação com relação aos fatos, e reafirmou que foi a própria instituição quem levou o caso ao conhecimento da Polícia Federal, depois de o TCU ter feito o alerta para inconsistências de dados e indícios de irregularidades. Também garantiu que o controle ficou mais rigoroso desde que os desvios foram descobertos.

As duas servidoras que seriam as peças centrais na fraude e que foram presas na operação de ontem já haviam sido exoneradas dos cargos de confiança em dezembro passado. Agora estão afastadas também da função pública por seis meses, conforme despacho do juízo.

Em paralelo à investigação da PF, a Universidade segue com sindicância interna para apurar responsabilidades.

 

Repórter Cristina Seciuk

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