Carne Fraca: quarenta empresas envolvidas; fiscais recebiam propina para fazer “vista grossa”

Foto: Reprodução/PF

A operação Carne Fraca teve por objetivo desarticular uma organização criminosa liderada por fiscais agropecuários federais e empresários do agronegócio.

A denúncia inicial partiu de um fiscal do Ministério da Agricultura. Ele atuava junto a um frigorífico e procurou pela Polícia Federal no começo de 2015 após ter sido abruptamente afastado das fiscalizações à medida que descobriu irregularidades.

Conforme a investigação, os agentes públicos recebiam propina para fazer vista grossa.

Nas perícias realizadas, foi encontrado alimento adulterado: desde utilização de químicos (inclusive cancerígenos) para maquiar produto estragado até material impróprio para consumo humano, como relatou o delegado Maurício Moscardi Grillo.

No total quarenta empresas foram investigadas: em todas foi encontrado algum tipo de problema. Dentre os alvos, as gigantes BRF e JBS, que controlam diversas marcas no país.

A distribuição de carne imprópria não era realizada apenas no mercado interno. Conteineres mandados para outros países (como Itália e Espanha) também foram identificados. Nessa situação, acontecia manipulação de certificados para que os produtos não passassem pelos trâmites legais de exportação.

As investigações da Polícia Federal constataram que os integrantes do Ministério atuaram diretamente para proteger grupos empresariais em detrimento do interesse público.

Os envolvidos no esquema são ligados às Superintendências Regionais aqui do Paraná e também dos estados de Minas Gerais e Goiás, mas as fraudes vão muito além, mandados foram cumpridos ainda em SP, SC, RS e no DF.

Foram expedidas 309 mandados: foram 27 ordens de prisão preventiva, 11 de prisão temporária, 77 conduções coercitivas e 194 buscas e apreensões. É considerada a maior operação da história da PF.

Conforme o delegado, o dinheiro da propina era em parte destinado para campanhas políticas. A PF não citou nomes, mas indicou dois partidos: PP e PMDB.

Não há detalhes sobre quais os motivos que levaram os fiscais a repassar os valores.

Tanto PP como PMDB foram procurados e ainda não responderam às solicitações da reportagem.

A empresa JBS e BRF emitiram nota. Lei a íntegra:

COMUNICADO JBS  

Em relação a operação realizada pela Polícia Federal na manhã de hoje, a JBS esclarece que não há nenhuma medida judicial contra os seus executivos.  A empresa informa ainda que sua sede não foi alvo dessa operação.

A ação deflagrada hoje em diversas empresas localizadas em várias regiões do país, ocorreu também em três unidades produtivas da Companhia, sendo duas delas no Paraná e uma em Goiás. Na unidade da Lapa (PR) houve uma medida judicial expedida contra um médico veterinário, funcionário da Companhia, cedido ao Ministério da Agricultura.

A JBS e suas subsidiárias atuam em absoluto cumprimento de todas as normas regulatórias em relação à produção e a comercialização de alimentos no país e no exterior e apoia as ações que visam punir o descumprimento de tais normas.

A JBS no Brasil e no mundo adota rigorosos padrões de qualidade, com sistemas, processos e controles que garantem a segurança alimentar e a qualidade de seus produtos. A companhia destaca ainda que possui diversas certificações emitidas por reconhecidas entidades em todo o mundo que comprovam as boas práticas adotadas na fabricação de seus produtos.

A Companhia repudia veementemente qualquer adoção de práticas relacionadas à adulteração de produtos – seja na produção e/ou  comercialização –  e se mantém à disposição das autoridades com o melhor interesse em contribuir com o esclarecimento dos fatos.

COMUNICADO BRF

A BRF informa que, em relação à operação da Polícia Federal realizada na manhã desta sexta-feira, está colaborando com as autoridades para o esclarecimento dos fatos.

A companhia reitera que cumpre as normas e regulamentos referentes à produção e comercialização de seus produtos, possui rigorosos processos e controles e não compactua com práticas ilícitas.

A BRF assegura a qualidade e a segurança de seus produtos e garante que não há nenhum risco para seus consumidores, seja no Brasil ou nos mais de 150 países em que atua.

 

Repórter Cristina Seciuk



Categorias:Polícia, Política

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