Foto: Divulgação/AEN

A rádio CBN conversou com o fiscal agropecuário Daniel Gouveia Teixeira, que descobriu e denunciou à Polícia Federal o esquema de venda de carne adulterada mediante pagamento de propina a fiscais do Ministério da Agricultura no Paraná. O esquema foi desarticulado na operação Carne Fraca, deflagrada na última sexta-feira. Em entrevista à rádio CBN, Daniel afirmou que a Carne Fraca tem potencial para ser uma nova Lava Jato.

Daniel descobriu o esquema por volta de 2012. Ele percebeu que frigoríficos sem condições sanitárias adequadas recebiam certificados de qualidade. O fiscal juntou dados e informações e denunciou o caso à Superintendência do Ministério da Agricultura no Paraná. Um processo administrativo foi instaurado em 2014, mas até hoje, não foi concluído. No mesmo período, Daniel foi afastado da fiscalização dos frigoríficos. Foi quando ele decidiu procurar a Polícia Federal, e desde então, tem auxiliado nas investigações.

Daniel era responsável pela fiscalização de dois frigoríficos na região de Curitiba. Ele conta algumas irregularidades que identificou na produção de carnes nas duas empresas.

Na opinião do fiscal, um dos maiores problemas no Ministério da Agricultura é a indicação política para cargos de chefia. Por exemplo, o superintendente do Ministério no estado foi apontado pela Polícia Federal como um dos líderes do esquema. Ele foi indicado pela bancada paranaense do PMDB na Câmara.

Inclusive, o fiscal afirmou que as nomeações para Superintendente do Ministério no Paraná sempre vieram de dois partidos: PP e PMDB, ambos citados pela Polícia Federal nas investigações da Carne Fraca.

Daniel também apontou um déficit de fiscais agropecuários no Ministério. Segundo ele, seria necessário pelo menos mais 800 profissionais para um controle mais efetivo da produção de carne.

A rádio CBN tenta contato com os citados na reportagem e aguarda um retorno. Vale lembrar que, na semana passada, o Ministério da Agricultura já se posicionou sobre a operação Carne Fraca. 33 servidores suspeitos de envolvimento no esquema já foram afastados. 21 empresas são alvos de fiscalizações da pasta. Além disso, nesta segunda-feira, dois servidores foram exonerados, entre eles, Gil Bueno Magalhães, que ocupava o cargo de superintendente do Ministério do Paraná.

Repórter Tabata Viapiana

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