Foto: Divulgação/Ministério da Justiça

Em duas postagens no Facebook, o Ministro da Justiça, Osmar Serraglio, do PMDB, negou mais uma vez envolvimento em atos ilícitos investigados na Carne Fraca. Ele explicou uma doação eleitoral de R$ 200 mil feita pela JBS, um dos alvos da operação, para a sua campanha a deputado federal em 2014. Segundo Serraglio, o valor foi repassado pelo diretório nacional do PMDB e foi registrado na prestação de contas da campanha.

O ministro disse que nunca participou de qualquer conversa com a JBS para pedir doações eleitorais, e jamais manteve contato ou se reuniu com funcionários da empresa. Serraglio também explicou a indicação de Daniel Gonçalves Filho para a Superintendência do Ministério da Agricultura no Paraná. Daniel é apontado pela Polícia Federal como líder do esquema de venda adulterada de carnes mediante pagamento de propina a fiscais agropecuários.

Segundo Serraglio, há cerca de dez anos, por decisão política do Governo Federal, a indicação do cargo coube à bancada do PMDB do Paraná. O nome de Daniel teria sido sugerido por outro deputado, mas os demais membros da bancada também assinaram o ofício de indicação. O ministro apareceu em um dos grampos da Polícia Federal justamente em uma conversa com Daniel Gonçalves Filho.

No áudio interceptado pela PF, de fevereiro do ano passado, Serraglio chamou Daniel de “grande chefe”. A conversa tratou de um frigorífico no interior do Paraná, que estaria sob ameaça de ser fechado por um fiscal agropecuário. Serraglio comunicou a situação a Daniel, que foi em busca de mais detalhes. Ele constatou que não havia problemas com o frigorífico e repassou a informação a Serraglio.

No mesmo dia, o ministro se manifestou sobre o caso. Ele disse que o frigorífico em questão fica a 50 km da cidade dele e, apenas para saber mais informações sobre o possível fechamento da empresa, ele procurou Daniel por ser o superintendente do Ministério da Agricultura no Paraná.

A Polícia Federal, no entanto, não viu indícios de irregularidades envolvendo Osmar Serraglio. Em todo caso, a citação ao ministro foi enviada à Procuradoria Geral da República por causa da prerrogativa de foro. O juiz responsável pela operação no Paraná, Marcos Josegrei da Silva, também afirmou, em despacho, que não identificou elementos da participação de Serraglio em atos ilícitos.

Repórter Tabata Viapiana

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