O ex-ministro Antônio Palocci prestou depoimento por cerca de duas horas ao juiz Sérgio Moro nesta quinta-feira. Foi o primeiro interrogatório de Palocci ao juiz desde que foi preso, em setembro do ano passado. Ele é acusado de atuar em benefício da Odebrecht na assinatura de um grande contrato com a Petrobras. Em troca, a empreiteira teria repassado pelo menos R$ 128 milhões em propina ao PT por intermédio do ex-ministro.

Mas Palocci negou ter recebido valores ilícitos da Odebrecht e disse que tinha apenas relações profissionais com a empreiteira e com os ex-presidentes Emílio Marcelo Odebrecht. Palocci também negou ter pedido que a empresa pagasse propina ou caixa 2 para o PT.

Segundo o Ministério Público e os delatores da Odebrecht, Palocci tinha o codinome de ‘italiano’ nas planilhas de propina da construtora. Havia até um documento chamado “programa especial Italiano’, que seriam valores destinados apenas ao ex-ministro. Segundo as investigações, só ele poderia autorizar os repasses. Palocci, no entanto, disse que nunca foi chamado por esse apelido.

Palocci detalhou a relação com os ex-marqueteiros do PT, João Santana e Mônica Moura, que também são réus do processo. O casal firmou delação premiada com a Lava Jato e disse, em depoimento a Moro na última terça-feira, que Palocci teria pedido a eles dados de uma conta no exterior para realizar pagamentos via caixa 2. Mais uma vez, o ex-ministro negou irregularidades.

Palocci também afirmou nunca ter tratado de assuntos ilícitos com empresários. Ele relatou um episódio em que teria ajudado Marcelo Odebrecht com um pedido de propina feito por um integrante do PT.

No entanto, Palocci admitiu que todas as campanhas dos grandes partidos brasileiros são abastecidas por caixa 2.

Ao final do depoimento, o ex-ministro demonstrou interesse em colaborar com a Lava Jato. Nos bastidores, circula a informação de que Palocci estaria interessado em firmar um acordo de delação premiada. As conversas com o Ministério Público já teriam iniciado, tanto que nenhum procurador questionou o ex-ministro na audiência.

Na mesma audiência, o juiz Sérgio Moro interrogou por cerca de meia-hora um ex-assessor de Palocci, Branislav Kontic.

 

Repórter Tabata Viapiana

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