Foto: arquivo / Prefeitura de Paranaguá

O deputado paranaense Rodrigo Rocha Loures, do PMDB, chegou ao Brasil na manhã desta sexta-feira (19). O avião vindo de Nova York pousou por volta das 6h30 no aeroporto de Guarulhos, em São Paulo. Os passageiros só puderam desembarcar quase uma hora depois, porque Rocha Loures foi retirado primeiro por equipes da companhia aérea, sem a presença de policiais federais.

Acompanhado dos advogados, o deputado entrou direto em um táxi e foi embora sem dar declarações à imprensa ou informar para onde estava indo. Ele foi bastante hostilizado no saguão do aeroporto por outros passageiros e foi chamado de “ladrão” e “bandido”. A defesa informou que só vai se pronunciar quando tiver acesso à íntegra das acusações contra Rocha Loures.

O deputado foi citado nas delações premiadas dos donos da JBS, Joesley e Wesley Batista. Ele apareceu como um indicado do presidente Michel Temer para resolver assuntos de interesse da empresa. Além disso, foi filmado recebendo uma mala da JBS com R$ 500 mil. Segundo as investigações, o valor correspondia à primeira parcela de uma propina que seria paga mensalmente durante 20 anos, totalizando R$ 480 milhões.

A entrega do dinheiro foi monitorada pela Polícia Federal, na chamada ‘ação controlada’, que serve para conseguir provas e flagrantes. O jornal O Globo publicou nesta quinta-feira uma série de fotos de um encontro de Rocha Loures com um executivo da JBS. Os dois passam por três endereços em São Paulo para despistar a entrega do dinheiro. Nas últimas imagens, o paranaense aparece deixando uma pizzaria com a mala, onde estariam os R$ 500 mil. A PF ainda rastreia o destinatário final dos valores.

Uma conversa entre Temer e Joesley Batista, gravada pelo próprio empresário e anexada à delação, foi divulgada nesta quinta-feira pelo Supremo Tribunal Federal. No áudio, de quase o 40 minutos, o nome de Rocha Loures é citado rapidamente. O presidente apenas indica que Joesley resolva determinadas pendências com o deputado.

Rocha Loures também foi alvo da última etapa da Lava Jato autorizada pelo Supremo Tribunal Federal. Ele foi afastado do cargo de deputado federal pelo ministro Edson Fachin, atendendo a um pedido da Procuradoria-Geral da República. O gabinete dele em Brasília e o apartamento em Curitiba foram alvos de buscas realizadas nesta quinta-feira pela Polícia Federal.

Rocha Loures estava no cargo há pouco mais de dois meses. Ele era suplente e só assumiu uma cadeira na Câmara no dia 08 de março, depois que Osmar Serraglio se tornou Ministro da Justiça.

Repórter Tabata Viapiana

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