Prédio onde mora o ex-governador Beto Richa e foram cumpridos os mandados de busca e apreensão. (Foto: William Bittar)

A prisão de Deonílson Roldo aconteceu durante a deflagração da 53ª fase da Lava Jato, na manhã desta terça-feira (11.09).

A nova fase da Lava Jato foi batizada de “Operação Piloto”. Piloto era o codinome atribuído ao ex-gobernador do Paraná Beto Richa, nas planilhas de propina da Odebrecht. De acordo com a PF, o objetivo da investigação é a apuração de suposto pagamento milionário de vantagem indevida no ano de 2014, pelo Setor de Operações Estruturadas do Grupo Odebrecht, em favor de agentes públicos e privados no Estado Paraná, em contrapartida ao possível direcionamento do processo licitatório para investimento na duplicação, manutenção e operação da rodovia estadual PR-323 na modalidade parceria público-privada.

Além de Deonílson Roldo, foram alvos de prisão nesta fase da Lava Jato o empresário Jorge Atherino, apontado como operador financeiro do ex-governador Beto Richa; e Tiago Correia Adriano Rocha, indicado como braço-direto de Jorge, e responsável por diversas transações financeiras.

Conforme apontaram as investigações e a denúncia recentemente oferecida pelo MPF, empresários do grupo Odebrecht realizaram, no primeiro semestre de 2014, um acerto de subornos com Deonilson Roldo, para que este limitasse a concorrência da licitação para duplicação da PR-323, entre os municípios de Francisco Alves e Maringá. Em contrapartida, a Odebrecht pagaria R$ 4 milhões a Roldo e ao seu grupo.

Relatório elaborado pela PF apontou ainda que uma empresa de Deonilson Roldo, recebeu cerca de R$ 135.000,00 em depósitos feitos em espécie, no período entre setembro e dezembro de 2014.

Ou seja, depósitos em dinheiro foram feitos no período correspondente e próximo às entregas de valores pelo Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht, segundo o MPF.

O MP alega que as prisões executadas se basearam na estrita necessidade de estancar a prática de crimes de suborno milionários e seriais que seguiram sendo realizados mesmo depois do início da Lava Jato, e com base nas evidências que apontam para a existência de um contexto mais amplo de corrupção dentro do governo do Paraná, em diferentes setores.

A investigação apura ainda o envolvimento do ex-governador Beto Richa nos fatos, em relação a utilização de empresas em nome de familiares para movimentação de valores de origem desconhecida.

O MP diz ainda que as prisões executadas se basearam na estrita necessidade de estancar a prática de crimes de suborno milionários e seriais que seguiram sendo realizados mesmo depois do início da Lava Jato, e com base nas evidências que apontam para a existência de um contexto mais amplo de corrupção dentro do governo do Paraná, em diferentes setores.

Interceptações telefônicas demonstraram que Deonilson Roldo está atualmente coordenando de forma oculta a campanha de Beto Richa, enquanto Jorge Atherino continua usando suas empresas para movimentação expressiva de valores sem origem identificada.

Repórter Fabio Buchmann