Terrazza Panorâmico

A Polícia Federal (PF), o Ministério Público Federal (MPF) e a Receita Federal deflagraram, nesta sexta-feira (27), a 66ª fase da Operação Lava Jato.

São cumpridos sete mandados de busca e apreensão na cidade de São Paulo (SP) e um em Natal (RN). As medidas cautelares foram expedidas pela 13ª Vara Federal de Curitiba/PR.

A nova fase, denominada “Alerta Mínimo”, é a 9ª cumprida em 2019. Ela aprofunda a investigação da atuação de três gerentes e um ex-gerente do Banco do Brasil, que foram cooptados por operadores financeiros para facilitar a realização de centenas de operações de lavagem de dinheiro entre os anos de 2011 e 2014.

O montante era movimentado pelos investigados por transferências bancárias a partir de contas mantidas pela organização criminosa. O valor total ilícito superou a quantia de R$ 200 milhões.

Dinheiro em espécie

De acordo com o MPF, parte significativa do dinheiro foi convertida em espécie para posterior utilização no pagamento de propinas por empreiteiras que praticaram corrupção contra a Petrobras.

Durante a investigação foram obtidos documentos trazidos por colaboradores que indicaram que determinado doleiro teria sido responsável por produzir pelo menos R$ 110 milhões, em espécie, para viabilizar o pagamento de propinas.

A produção de dinheiro em espécie neste caso envolvia trocas de cheques obtidos junto ao comércio da grande São Paulo e abertura de contas sem documentação necessária ou com falsificação de assinaturas em nome de empresas do ramo imobiliário.

O MPF afirma que os gerentes burlaram os mecanismos de prevenção a lavagem de dinheiro da instituição bancária. A conduta deles possibilitou que contas em nome de empresas de fachada de grupos criminosos fossem abertas e operassem no banco por muito tempo, realizando centenas de operações de lavagem.

Ainda segundo o Ministério Público Federal, após a identificação do esquema ilícito, foi oportunizado ao Banco do Brasil a realização de apurações sigilosas internas acerca das irregularidades. As apurações foram realizadas e o Banco encaminhou aos investigadores outras provas da atuação de seus funcionários para facilitar operações de lavagem de capitais.

O nome da operação (Alerta Mínimo) faz referência ao fato de que os alertas de operações atípicas do sistema interno do banco para comunicação ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF) passaram a ser encerrados, mediante a apresentação de justificativas pelos gerentes de agência, como se não houvesse indícios de lavagem de dinheiro.

Mais informações devem ser repassadas à imprensa às 10h, em coletiva no auditório da Superintendência Regional da PF em Curitiba.