Foto: Orlando Kissner/ANPr

Um dos delatores da J&F, a holding que controla a JBS, Ricardo Saud, afirmou ao Ministério Público que entregou R$ 1 milhão em espécie ao irmão do governador Beto Richa, o secretário de infraestrutura e logística, Pepe Richa. A entrega aconteceu, segundo o delator, dentro do carro do secretário, em frente a um supermercado de Curitiba. Nesta segunda-feira, Beto Richa se manifestou pela primeira vez desde que as acusações vieram à tona.

Ele negou ter recebido propina ou qualquer valor em espécie da JBS. Segundo o governador, a campanha dele à reeleição em 2014 recebeu duas doações da empresa, que foram declaradas à Justiça Eleitoral: uma no valor de R$ 1 milhão e outra de R$ 1 mil. Richa classificou a delação da JBS de “mentirosa”.

O governador seguiu a mesma linha do presidente Michel Temer e atacou de maneira dura a conduta da JBS. Richa afirmou que os empresários “assaltaram o país” e ainda conseguiram o benefício de morar em Nova York. 

Essa foi a segunda vez que o nome de Richa apareceu nas investigações da Lava Jato. Delatores da Odebrecht também relataram pagamentos via caixa 2 para as campanhas do tucano à Prefeitura de Curitiba em 2008, e ao Governo do Paraná em 2010 e 2014. Neste caso, Richa também negou as acusações.

O irmão do governador, apontado pela JBS como a pessoa que recebeu o dinheiro em espécie, também se defendeu. Em nota, Pepe Richa repudiou o que chamou de falsas informações dos colaboradores e disse que nunca recebeu valores da JBS. Pepe afirmou que sequer fez parte do comitê financeiro de campanha do PSDB em 2014, e por isso, nunca tratou de doações eleitorais.

Repórter Tabata Viapiana

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