Foto: EBC

Terminou ontem, o prazo para que os advogados de defesa apresentassem as alegações finais no processo em que o ex-presidente Lula foi acusado de receber um imóvel, em São Bernardo do Campo, além de um terreno destinado ao Instituto Lula, classificados pelo MPF como propina paga pela Odebrecht.

O documento foi assinado por sete advogados. Segundo a argumentação, o processo deve ser anulado ante a violação ao princípio da presunção de inocência, pois o ex-presidente foi tratado como culpado desde a fase pré­processual, impedindo-­se a realização de um julgamento justo.

Os advogados solicitam ainda a absolvição de Lula, por estar provada a inexistência dos fatos imputados, ou pela atipicidade das condutas, ou, ainda, por não existir prova de que Lula tenha concorrido para a realização dos fatos imputados

Os advogados ainda acusam o juiz Sérgio Moro de ser parcial e citam a possibilidade do magistrado participar do governo Bolsonaro. Segundo o texto: “Não bastasse ter agido para prejudicar o Defendente e seus correligionários na disputa eleitoral, o Juiz do processo, abandonando de vez qualquer aparência de imparcialidade, está flertando com a possibilidade de integrar o futuro governo do Presidente da República eleito.

Como é sabido, o Sr. Jair Bolsonaro disputou o segundo turno das eleições presidenciais com um correligionário do Defendente. Ao longo da campanha realizou declarações atentatórias ao Estado de Direito e, no que interessa ao processo, ameaçou publicamente o Defendente e seus correligionários, afirmando, em tom de galhofa, que iria “varrer do mapa esses bandidos vermelhos do Brasil”

Fotos de eventos com a presença de Moro, organizados por entidades ou por políticos como João Dória, foram anexadas às alegações.

Esta é a última etapa da instrução antes da sentença do juiz Sérgio Moro.

Repórter Lucian Pichetti