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Seja em Hollywood, seja fora dos Estados Unidos, Rodrigo Teixeira é o mais respeitado produtor brasileiro de cinema no exterior. Não à toa, pertence ao grupo dos que escolhem o Oscar. Aliás, o currículo deste carioca de 42 anos inclui um filme vencedor do Oscar (Me Chame Pelo Seu Nome, melhor roteiro adaptado) e um premiado este ano no Festival de Cannes (A Vida Invisível de Eurídice Gusmão, ganhador da mostra Um Certo Olhar). Rodrigo também é apaixonado por futebol e, em uma entrevista para a CBN Curitiba, elogiou o Athletico: “Para mim não é emergente. Gosto do Athletico desde os tempos de Washington e Assis”, afirmou, referindo-se à dupla de ataque da equipe semifinalista do Campeonato Brasileiro em 1983, a melhor campanha rubro-negro em uma competição nacional, até então.

Em 2012, Rodrigo apresentou um filme sobre futebol: Heleno, a história de Heleno de Freitas (1920-1959), sedutor e polêmico craque do Botafogo. “Heleno foi minha contribuição como longa-metragem. Posso explorar explorar outras possibilidades do futebol no audiovisual, mas o longa foi esta história, a de um jogador trágico”, disse este flamenguista e são-paulino (hoje, mora em São Paulo) sobre a produção que tem apenas as cores do Botafogo (preto-e-branco) e Rodrigo Santoro no papel-título.

O futebol também ocupou outra atividade de Rodrigo Teixeira, a de editor literário. Em 2001, lançou a coleção Camisa 13, com obras assinadas por torcedores famosos, em torno dos treze clubes mais populares do pais. Luís Fernando Veríssimo, por exemplo, escreveu Autobiografia de uma Paixão, dedicado ao Internacional. Coube ao flamenguista Ruy Castro O Vermelho e o Negro. “A coleção vai ser retomada este ano”, contou Rodrigo à CBN. O futebol paranaense não foi convidado para a primeira safra. Agora, Rodrigo admite que a lista seja ampliada: “Apreciava muito aquele time do Athletico (o de 1983)”.

Se a ideia de torcedores-escritores for adiante, o também produtor de Tim Maia (2014) não vai ter dificuldade em encontrar um atleticano de bom texto. O catarinense Cristovão Tezza, que mora em Curitiba há meio século, escreveu O Filho Eterno, romance que Rodrigo ajudou a transformar em filme. O Athletico passa pelo afeto do pai e do filho presente na obra. No dia-a-dia, por influência do filho, Tezza se tornou atleticano.

Rodrigo está em Curitiba acompanhando o 8º Olhar de Cinema, festival que termina nesta quinta-feira (13). Para 2019, ele projeta uma parceria com o cineasta Aly Muritiba, baiano radicado em Curitiba, onde é sócio da Grafo Audiovisual, e diretor de dois premiados filmes: Ferrugem, vencedor do Festival de Gramado em 2018, e Para Minha Amada Morta, que obteve seis trofeus no Festival de Brasília em 2016. A associação com Muritiba prevê uma cinebiografia do rapper Emicida e uma adaptação de Barba Ensopada de Sangue, romance do paulistano Daniel Galera. Enquanto 2019 não vem, este admirador de Washington e Assis se prepara para o lançamento de Ad Astra, ficção científica estrelada por Brad Pitt, que chega em setembro aos cinemas dos Estados Unidos.

(Ayrton Baptista Junior)