Foto: Arquivo familiar

Maria Joaquina foi a segunda colocada no Campeonato Brasileiro de Patinação do ano passado. Entre as cinco atletas com os melhores desempenhos, ela deveria ter sido chamada automaticamente para representar o país no Sul-americano 2019, mas a convocação não aconteceu.

A negativa da Confederação Sulamericana de Patinação teve ligação direta com o gênero da criança e não foi a primeira dificuldade no dia a dia dela e da família. O desabafo é do pai, Gustavo Uchôa.

Maria Joaquina é uma criança trans. Adotada junto com seus dois irmãos em 2016, aos oito anos de idade, ela já apresentava disforia de gênero, quando a pessoa não se identifica com o sexo de nascimento.

Conforme o pai, a família segue o protocolo médico para a idade, que se limita ao acolhimento. Maria Joaquina tem acompanhamento psicológico profissional e nunca tomou hormônios, interferência que só é considerada cabível a partir da puberdade.

A patinação faz parte da vida da menina desde que foi adotada por Gustavo e pelo companheiro Cleber. Em 2018, ela pôde participar dos torneiros paranaense e nacional na categoria feminina com classificação que garantiria a presença dela no campeonato continental, mas agora foi comunicada de que não poderá competir no Sul-americano, a ser realizado entre os dias 19 e 30 de abril em Santa Catarina.

Os pais da atleta foram à Justiça na tentativa de fazer com que a Confederação Sul-americana volte atrás.

Em nota, a Confederação Brasileira de Hóquei e Patinação informou à CBN que não pode atentar contra as determinações e regras vigentes, definidas pelas entidades internacionais da modalidade. Em comunicado enviado para a federação nacional, a Confederación Sudamericana de Patinaje, informou que o seu comitê executivo, “com base em estatutos e regramentos vigentes, só permite que compitam em seus eventos, patinadores cujos documentos de identidade confirmem a que categoria pertences”, ou seja, masculino ou feminino. Ainda no texto, a entidade internacional afirma que o conceito não é passível de contestação.

Repórter Cristina Seciuk