Foto: Fabio Buchmann

O ex-governador Beto Richa foi preso pela terceira vez na manhã desta terça-feira (19), dessa vez na Operação Quadro Negro, que apura desvios de, pelo menos, R$ 20 milhões de verbas direcionadas para a reforma e construção de escolas públicas no Paraná.

A prisão de Richa foi feita pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público do Paraná (MP-PR).

Beto Richa chegou à sede do Gaeco por volta das 10:00 em uma caminhonete com os vidros escuros. Ele não deve prestar depoimento nesta terça-feira.

A única informação confirmada é de que ele deve realizar exames de corpo de delito ainda nesta terça. Depois ele deve ser encaminhado ao Complexo Médico Penal que fica em Pinhais, na RMC.

Além do ex-governador, foram presos preventivamente Ezequias Moreira, ex-secretário especial de Cerimonial e Relações Exteriores do Paraná e o empresário Jorge Atherino, apontado pelo Ministério Público como operador financeiro de Beto Richa.

Foram cumpridos mandados de busca e apreensão em Caiobá, no litoral do Paraná, e Porto Belo, em Santa Catarina, ambos em imóveis pertencentes à família do ex-governador.

Segundo o Ministério Público do Paraná, as fraudes foram cometidas em aditivos de obras fechados com a Construtora Valor, autorizados pelo governo estadual.

As defesas de Jorge Atherino e Ezequias Moreira informaram que não vão se manifestar sobre as prisões. Já a defesa de Beto Richa, em nota classificou as prisões como desnecessárias, já que todos os esclarecimentos sobre o assunto já foram feitos.

Diz o texto ainda que as fraudes foram descobertas e denunciadas durante a gestão do ex-governador. A defesa de Beto Richa diz ainda que repudia o processo de perseguição ao ex-governador e familiares, mas segue acreditando nas instituições do Poder Judiciário.

Já o coordenador do Gaeco no PR, Leonir Batisti, alega que houve tentativa de obstrução das investigações e por isso, as prisões se tornaram necessárias neste momento.

Segundo ele, o principal delator da operação, o ex-diretor da Secretaria de Estado da Educação, Maurício Fanini, foi alvo de inúmeros achaques para que não revelasse detalhes sobre o esquema de desvio de recursos.

Isto teria ocorrido em encontros, inclusive com a participação de Beto Richa.

O coordenador do Gaeco manifestou preocupação com relação à uma possível determinação de soltura de Beto Richa em instâncias superiores.  Na última semana, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, concedeu mais um salvo conduto para Richa e familiares, que impede a prisão do ex-governador na Operação Integração, que investiga fraudes em pedágios no chamado Anel de Integração, e na Operação Rádio Patrulha, que investiga desvios no programa Patrulha do Campo.

Confira o vídeo da prisão de Beto Richa:

Repórter Fábio Buchmann