Foto: Arnaldo Alves / ANPr
Terrazza Panorâmico

O ex-governador do Paraná Beto Richa (PSDB), a esposa dele e ex-secretária da Família e Desenvolvimento Social Fernanda Richa, um dos filhos do casal e o contador da família Dirceu Pupo Ferreira, viraram réus pelo crime de lavagem de dinheiro no âmbito da Operação Quadro Negro, que investiga irregularidades em obras de manutenção e construção de escolas no Estado. A denúncia, apresentada pelo Ministério Público do Paraná, por meio do Grupo Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), foi aceita no última sexta-feira (22) pela 9ª Vara Criminal de Curitiba, mas só veio a público nesta terça-feira (26).

Segundo o MP-PR, o governador e seus familiares teriam adquirido um conjunto de salas comerciais no Centro Cívico, em Curitiba, no ano de 2013. Parte do pagamento teria ocorrido com dinheiro recebido como propina de construtoras investigadas na Quadro Negro. Os imóveis teriam sido colocados em nome da empresa que concentra o patrimônio da família.

A denúncia, protocolada em 13 de novembro na 9ª Vara Criminal da capital, aponta que a compra das salas custou R$ 2,2 milhões. Parte deste valor, cerca de R$ 830 mil, foi paga ao vendedor em dinheiro, de forma dissimulada, enquanto um imóvel dado em pagamento por parte dos compradores foi superavaliado na tentativa de também ocultar pagamento em espécie e sua origem ilícita.

O ex-governador, a ex-primeira-dama e o contador também se tornaram réus por obstrução da justiça, porque teriam, em agosto de 2018, tentado influenciar o corretor de imóveis que intermediou o negócio a esconder a existência daquele pagamento, caso viesse a ser procurado pelas autoridades.

A Operação Quadro Negro investiga desvios de mais de R$ 20 milhões verba pública da Secretaria de Estado da Educação (SEED) entre os anos de 2012 e 2015 para obras em escolas em contratos fechados com a Construtora Valor.

Por meio de nota, a defesa de Beto Richa informou que: “recebeu com perplexidade a notícia de que o ex-governador e seus familiares estão sendo processados novamente, pelo mesmíssimo fato já objeto de duas acusações anteriores. O Ministério Público se contradiz, e agora acusa o ex-governador sem saber apontar a ilicitude dos recursos. A defesa segue depositando sua confiança na Justiça para controlar a perseguição e o abuso contra a Família Richa”

Repórter Francielly Azevedo