Foto: Divulgação/CMC
Terrazza Panorâmico

A proposta de criação do comitê foi resultado de uma audiência pública realizada na Câmara, pela Comissão de Direitos Humanos do legislativo da cidade. No auditório do prédio se reuniram dezenas de pessoas entre autoridades e população em geral, principalmente aquela que se encontra em situação de vulnerabilidade, sem ter local para viver.

De acordo com a presidente da comissão de DH da casa, vereadora Maria Letícia Fagundes (PV), a expectativa é que um grupo pautado pela diversidade possa apontar alternativas viáveis e eficazes para superar a situação.

Ainda antes da audiência, a vereadora já acreditava que aquele momento seria apenas de diálogo inicial, dada a complexidade do assunto, o que ficou claro na fala do coordenador do Movimento Nacional da População de Rua, Leonildo José Monteiro Filho. A cobrança levada para a Câmara foi por mais ações com potencial de reinserção social e menos foco no assistencialismo.

Outro ponto criticado foi o fato de Curitiba nunca ter feito um censo da população de rua, o que, segundo Monteiro Filho, impede o correto planejamento das ações.

Conforme dados da Fundação de Ação Social, Curitiba tem 2.007 pessoas que se autodeclaram em situação de rua, entretanto o número não necessariamente reflete a realidade, uma vez que o cadastramento não é obrigatório. Sobre isso, o coordenador de Gestão da Diretoria de Atenção à População em Situação de Rua, Anderson Walter, revelou que uma pesquisa será realizada ainda em 2019 e admitiu que, com o levantamento, a cidade terá mais capacidade de atuação.

Apesar de admitir o ponto fraco na política voltada a esses cidadãos, o representante da FAS destacou que a cidade já desenvolve ações em diversos segmentos, não apenas no acolhimento.

A perspectiva é de que o grupo de trabalho comece a ser formatado nas próximas semanas, mas ainda sem data afixada ou representantes definidos. Autora da sugestão, a também vereadora Professora Josete (PT) reforçou a necessidade de participação dos próprios moradores de rua nessa construção.

Também participaram da audiência pública representantes da Secretaria de Estado da Justiça, Família e Trabalho, da OAB Paraná e do MP. Convidada pela Câmara, a Associação Comercial do Paraná não compareceu por imprevistos de agenda.

Repórter Cristina Seciuk