Foto: William Bittar

Quarenta e oito homens e quatro mulheres que estavam na carceragem da Delegacia de São José dos Pinhais, na região metropolitana de Curitiba, foram transferidos para unidades prisionais nesta segunda-feira (11). O local deve passar por higienização após o registro de casos de sarna entre os presos, segundo a Secretaria de Segurança Pública e Administração Penitenciária do Paraná.

Na última semana, mesmo após a Sesp afirmar que todos os presos da haviam sido transferidos, os próprios detentos gravaram um vídeo desmentindo a transferência e afirmando que iam “quebrar a cadeia” caso chegassem mais pessoas.

As imagens foram divulgadas pelo Conselho da Comunidade de Curitiba e Região Metropolitana, que acompanha a situação dos presos nas delegacias e penitenciárias.

De acordo com a Sesp, a higienização da carceragem levará de 7 a 10 dias e “após isso, a carceragem poderá ser utilizada novamente”. O presidente da Associação dos Delegados de Polícia do Paraná (Adepol-PR), Daniel Fagundes, afirmou que a medida é temporária e que depois disso, as delegacias voltarão a receber detentos, o que é inconstitucional.

A carceragem da Delegacia de São José dos Pinhais tem capacidade máxima para oito pessoas, mas estava com 55 quando os casos de sarna foram registrados. De acordo com o presidente da Adepol, um terço da população carcerária do Estado, continua nas delegacias de polícia.

Um documento da Vigilância sanitária, emitido no dia 04 de fevereiro, revela que a Delegacia de São José dos Pinhais “não oferece as mínimas condições de aos detentos ou aos que lá se encontram e paralelamente aos funcionários por oferecer risco à saúde humana”.

Ainda de acordo com o conselho, a cadeia está interditada há cerca de dois anos pela Vigilância Sanitária e pelo Corpo de Bombeiros, mas continua abrigando presos.

Repórter William Bittar