Foto: Cristina Seciuk/CBN Curitiba

O segundo dia de audiências de instrução do processo judicial que trata do homicídio do jogador de futebol Daniel Corrêa Freitas teve depoimento da mãe do atleta, Eliana Corrêa, arrolada pelo Ministério Público na condição de informante. Na sala de audiência, além dela e dos advogados que atuam no processo também estavam os seis réus presos, entre os quais Edison Brittes, assassino confesso do rapaz. Essa foi a primeira vez em que familiares de Daniel ficaram frente a frente com os acusados de participação na morte, ocorrida em outubro.

Eliana Côrrea, que mora em Minas Gerais, chegou ao Paraná na segunda-feira (18) e nesta terça foi a primeira pessoa a ser ouvida durante a tarde, assim que as atividades foram retomadas após uma pausa para o almoço. As testemunhas ouvidas anteriormente eram sigilosas, mas a partir da oitiva da mãe a juíza Luciani de Paula, da 1ª Vara Criminal de São José dos Pinhais, autorizou que jornalistas acompanhassem os trabalhos, contanto que não fizessem registros.

Durante pouco menos de uma hora, a mãe de Daniel respondeu perguntas dos advogados de defesa dos réus, da promotoria e do assistente de acusação. Eliana falou em “frieza desumana” ao comentar contatos que Edison Brites e a filha Allana fizeram com ela após o crime, em telefonemas e mensagens de WhatsApp, nos quais teriam lamentado a morte do atleta e se colocado à disposição para ajudá-la no que fosse necessário.

Também falou diante da juíza a tia e madrinha de Daniel, Regina Corrêa de Assis. Enquanto era realizada a audiência, os réus permaneceram na sala, uma vez que todos têm direito de conhecer integralmente as acusações. Cristiana e Allana Brites sentaram-se lado a lado, vestiam o uniforme do sistema prisional e não usavam algemas. Os outros réus não usavam as vestes padronizadas, mas foram mantidos com mãos e pés algemados durante as atividades. Edison Brittes vestia calça jeans, camisa social e blazer. Visivelmente mais magro do que à época do crime, aparentava abatimento, mas reagiu pouco aos depoimentos.

As audiências de instrução seguem na fase de oitiva das pessoas indicadas pelo Ministério Público, na etapa de acusação. Vencida essa fase devem sem ouvidas quase uma centena de testemunhas de defesa, arroladas pelos representantes dos sete implicados no processo e apenas depois disse ocorrerá o interrogatório dos réus para que o juízo decida se vão ou não a júri popular.

Daniel Corrêa Freitas foi morto em outubro de 2018; o atleta foi espancado e teve o corpo mutilado pelos agressores.

Repórter Cristina Seciuk