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Terrazza Panorâmico

A cantora Shakira e o escritor Gabriel Garcia Márquez estão entre os personagens desta coluna do jornalista Ayrton Baptista Junior. O time colombiano é o adversário do Atlético Paranaense na decisão da Copa Sul-Americana.

 

No clipe da música La Bicicleta, Shakira, que é de Barranquilla, exibe a camisa do Junior. A cantora tem orgulho do time e a cidade tem orgulho da cantora. Em frente ao estádio Metropolitano Roberto Meléndaz, há uma estátua, de cinco metros, da Shakira.

O Junior de Barranquilla nasceu em 1924, mas só entrou no futebol profissional em 1948. Logo no primeiro ano, vice-campeão, abaixo apenas do Independiente Santa Fé, de Bogotá.

Em 1996, Junior e América de Cali empatavam: 1 a 1. Foi quando uma coruja pousou na trave do América. Com a coruja atenta, o Junior goleou, por 4 a 1, e foi campeão colombiano. Anos depois, a ave morreu ao ser chutada por um jogador adversário. Assim como Shakira, a coruja virou estátua em Barranquilla.

Em 1949, Barranquilla conheceu dois craques brasileiros: Tim, que disputara uma Copa do Mundo (a de 1938, na França) e o temperamental Heleno de Freitas, descartado no Vasco, após ser ídolo no Botafogo. Galã, culto e boêmio Heleno era um personagem incomum no futebol: de família rica, com formação universitária (advogado), leitor de romances russos e ouvinte de jazz. Tamanho charme o tornava irresistível para as mulheres. Artilheiro e também encrenqueiro, saiu do Vasco por atritos com o técnico Flávio Costa.

Pelo time colombiano, Heleno de Freitas jogou por dois anos e fez 14 gols em 47 partidas. O ídolo morreu com apenas 39 anos em um sanatório de Barbacena, Minas Gerais, abalado por álcool, drogas, vítima de sífilis e considerado louco. Os gols, porém, deixaram saudades no escritor Gabriel Garcia Márquez, torcedor do Junior.

Vencedor do Prêmio Nobel de Literatura, em 1982, com o romance Cem Anos de Solidão, Garcia Márquez escreveu várias crônicas sobre o Doutor Freitas, apelido que deu ao jogador. Em 1950, o escritor dizia que o refinamento de Heleno redigia com os pés memoriais e sentenças judiciais em português, espanhol e latim.

Heleno de Freitas não foi o único brasileiro cultuado por este ilustre torcedor do Junior. O autor de Cem Anos de Solidão também era fã do cantor Nelson Ned, mineiro como Heleno.