Quadro Negro faz cinco anos com quase 80 escolas investigadas

Quadro Negro faz cinco anos com quase 80 escolas investigadas
Foto: Divulgação/MPPR

A Operação Quadro Negro completou cinco anos no último mês de agosto. A ação, que começou em 2015 com a prisão de cinco pessoas em 6 de agosto daquele de ano suspeitas de participar do esquema ilegal em sete escolas, hoje soma cerca de 80 instituições de ensino investigadas.

Coordenada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público do Paraná (MP-PR), a Quadro Negro apura o desvio de, pelo menos, R$ 20 milhões da Secretaria de Estado da Educação (SEED) que seriam destinados para reformas e construção de escolas. Em muitas instituições, as obras nunca aconteceram.

Ao todo, são 10 ações penais, com quase 30 réus, entre eles, o ex-governador do Paraná Beto Richa.

O coordenador do Gaeco, Leonir Batisti, acredita que a Operação Quadro Negro foi um marco no setor político e social paranaense.

Segundo o MP-PR, os procedimentos eram praticados na Superintendência de Desenvolvimento Educacional (Sude) entre os anos de 2012 e 2015. Agentes públicos maquiavam as informações e autorizavam os laudos e as certificações de regularidade das obras. Posteriormente, os processos eram encaminhados à Secretaria de Estado da Educação, para que fosse efetuado o procedimento burocrático de pagamento antecipado, sem a real execução do que foi contratado.

As investigações avançaram conforme as informações chegavam via delações premiadas. A primeira delas foi firmada por uma funcionária da empreiteira Valor e depois pelo dono da empresa. O ex-diretor da Secretaria de Educação, Mauricio Fanini, também fechou acordo com o Ministério Público do Paraná.

A delação de Fanini trouxe à tona mais empreiteiras envolvidas no esquema. Diante do escândalo, outras empresas procuraram o MP e fecharam acordo de leniência. Cinco acordos foram homologados, somando R$ 4 milhões.

Leonir Batisti avalia que os prejuízos foram enormes para educação, principalmente em cidades do interior.

Os crimes investigados envolvem formação de quadrilha, falsidade ideológica, crime de lei de licitações, lavagem de dinheiro, corrupção passiva e obstrução de justiça.

Na esfera civil, são 11 processos. As indenizações, além de multas, pedidas pelo Ministério Público do Paraná somam mais de R$ 150 milhões.

A atual administração do Governo do Estado já retomou mais de 80% das obras.

A Rádio CBN Curitiba entrou em contato com os citados na reportagem.
Beto Richa informou que não teve nenhum envolvimento nos fatos e que sempre esteve à disposição da Justiça para esclarecimentos.

O ex-diretor da SEED, Maurício Fanini, afirmou que colabora com a Justiça e que prestou todas as informações no acordo de delação.

A Construtora Valor não retornou ao pedido.

Repórter Francielly Azevedo