Fotos: Ricardo Stuckert. última visita do Conselho foi ao ex-presidente Lula
Terrazza Panorâmico

Nesta quinta (17) e sexta-feira (18), integrantes do Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH) estão em Curitiba para apurar denúncias recebidas em relação a situação da população de rua na capital. 

Entre as atividades, estão a escuta dos moradores em situação de rua, visitas às unidades de acolhimento e a órgãos ligados ao atendimento desta população, como conta o presidente do Conselho Nacional de Direito Humanos Leonardo Pinho.

Leonardo Pinho relatou as denúncias recebidas pelo Conselho Nacional de Direitos Humanos. Entre elas estão a morte de moradores de rua, descontinuidade de atendimento em saúde, e infraestrutura insuficiente para atendimento no Centro Pop Matriz. 

Apesar do presidente do Conselho Nacional de Direitos Humanos ter citado uma reunião com o presidente da Fundação de Ação Social (FAS) Thiago Ferro, o encontro não aconteceu. 

De acordo com Thiago Ferro, neste inverno, que foi menos rigoroso do que em anos anteriores, uma morte foi registrada, no bairro Boa Vista, não por conta do frio, mas por uma pneumonia. Ferro ainda rebate a fala do presidente do Conselho Nacional de Direito Humanos, destacando que não há problemas com abastecimento de alimentos no Centro Pop.

O presidente da FAS falou ainda sobre o Intervidas, que não é um programa de sua pasta, mas mantem uma relação no atendimento à população de rua. Thiago Ferro disse que não há descontinuidade no atendimento através do Intervidas, e criticou a forma como está sendo realizada a escuta dos moradores de rua. 

Dados da Fundação de Ação Social mostram que nas 124 noites deste inverno, foram realizados 54.382 atendimentos à moradores de rua. Já nas 37 noites em que a temperatura ficou abaixo dos 9 graus, a FAS realizou busca ativa de hora em hora por pessoas em situação de vulnerabilidade. Na noite mais fria do último inverno, 605 pessoas foram acolhidas, enquanto haviam ainda outras 1200 vagas disponíveis.

Sobre a coleta de agasalhos realizada neste ano, a FAS tinha meta de receber a doação de 100 mil agasalhos, e alcançou a marca de 235 mil, que foram separados e as roupas mais leves estão sendo doadas para o programa Veste Curitiba, dentro das ações do Outubro Rosa.  

Sobre o Intervidas, a Secretaria Municipal de Defesa Social responsável pelo programa destacou através de nota que é equivocada a afirmação de que houve descontinuidade no projeto. Desde o início da atual gestão, em 2017, não houve interrupções no serviço prestado.

O ônibus que serve de suporte ao serviço é utilizado no período noturno nas terças, quartas e quintas-feiras, para atendimento a pessoas em situação de vulnerabilidade social.

A nota ressalta ainda que são oferecidos atendimentos diversos por uma equipe preparada e capacitada. Eles têm a oportunidade de participar de atividades de desenho e pintura, jogos interativos, assistir a filmes educativos e interagir em conversas estimuladas, promovendo o fortalecimento de vínculo. O Intervidas procura inserir essa população nos serviços públicos municipais, com possibilidade de encaminhamentos para Centro de Atenção Psicossocial (Caps), unidades de saúde, Centros de Referência de Assistência Social (Cras), Centros de Referência Especializados de Assistência Social (Creas) e Centros Pop. Caso aceite, o indivíduo também pode ser encaminhado para os serviços de acolhimento noturno oferecidos pela Prefeitura.

Repórter Vanessa Fernandes