Foto: Agência Brasil

O Plenário do Conselho Nacional de Justiça adiou o julgamento contra o juiz Sérgio Moro por ter divulgado, em março do ano passado, todas as interceptações telefônicas feitas pela Polícia Federal no ex-presidente Lula. O juiz derrubou o sigilo de inúmeras conversas de Lula com amigos, familiares, ex-ministros, parlamentares e até com a ex-presidente Dilma Rousseff, que na época, ainda estava no cargo. Muitos diálogos não tinham relação com a investigação da Lava Jato.

O Plenário decidiu adiar a análise de um recurso contra o arquivamento de duas reclamações disciplinares contra o juiz. Deputados e senadores ligados ao ex-presidente Lula, de partidos como PT e PCdoB, acionaram o Conselho Nacional de Justiça contra a decisão de Moro de divulgar conversas que incluíam autoridades com prerrogativa de foro, como Dilma Rousseff. As duas reclamações foram arquivadas pelo CNJ em maio do ano passado. Os políticos recorreram ao Plenário, mas não há data para um novo julgamento.

Uma das reclamações pede que o Conselho aplique ao juiz medidas disciplinares previstas na Lei Orgânica da Magistratura, como por exemplo, advertência, censura, remoção compulsória, aposentadoria compulsória ou demissão. A divulgação das conversas de Lula foi um dos pontos mais polêmicos em três anos de operação Lava Jato.

Um diálogo entre Lula e Dilma levantou a suspeita de que o ex-presidente só foi nomeado ministro chefe da casa civil, também em março do ano passado, para ter foro privilegiado e fugir das mãos de Moro, passando a ser investigado em Brasília.

A divulgação dos áudios também provocou inúmeras críticas ao trabalho de Moro por parte de políticos, juristas e até de ministros do Supremo Tribunal Federal. Na época, o juiz se defendeu. Durante uma palestra em Curitiba, ele minimizou a importância das escutas e disse que, na Lava Jato, as principais provas são documentais.

A conversa com Dilma Rousseff acabou sendo eliminada do processo por decisão do STF, porque a gravação foi feita depois que Moro já tinha determinado o encerramento dos grampos. Logo em seguida, o juiz admitiu que errou e se desculpou ao Supremo por ter divulgado todos os grampos de Lula.

Repórter Tabata Viapiana

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