Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

A entrega da carta aconselhando a renúncia imediata de Sérgio Moro é endereçada ao próprio Ministro da Justiça. O grupo Coletivo de Advogados e Advogadas pela Democracia decidiu adotar a medida após as denúncias do portal de notícias Intercept Brasil, em que o então juiz da 13ª Vara Federal de Curitiba, conversa sobre prazos e suposto direcionamento das investigações com o procurador do MPF Deltan Dallagnol e outros integrantes da Força Tarefa da Lava Jato. 

O texto é assinado por pelo menos 20 advogados de vários estados do país. A carta tem seis páginas, e cita reportagens classificadas como estarrecedoras sobre o vazamento das conversas.

Um dos trechos iniciais afirma que a revelação dos chats privados seria uma prova das convicções ideológicas do ministro, em conluio com os procuradores.

Outro trecho fala que a Lava Jato tinha partido e mídia própria.  A maior parte do conteúdo é referente à condenação do ex-presidente Lula. Fala-se que Lula era o principal alvo da operação desde o início, e silenciado, não pode concorrer às eleições realizadas no ano passado.  

O grupo de advogados fala ainda na existência de uma espécie de Tribunal Popular da Lava Jato, e que agora se traduz em uma verdade forense.

Outro trecho fala que enquanto se iludia o povo brasileiro com o discurso contra a corrupção, a Lava Jato tramava contra o Estado de Direito, comprometendo as instituições.

O trecho final diz o seguinte “É por tais e relevantes motivos que requeremos a renúncia imediata de vossa excelência do cargo de Ministro da Justiça, a fim que nenhuma apuração venha a ser comprometida por outras eventuais conversas e chats secretos, preservando assim, para além da sua pessoa, enquanto se apuram as denúncias, o Estado Democrático Brasileiro, a quem juramos defender por ofício”.

Uma das integrantes do grupo, a advogada Tânia Mandarino, diz que é inaceitável que alguns grupos burlem a lei para jogar a opinião pública contra algumas instituições brasileiras.

A advogada diz ainda que Sérgio Moro agiu na Lava Jato pensando na nomeação para algum cargo em Brasília. Ela coloca sob suspeita a nomeação de Moro para o Ministério da Justiça

Tânia Mandarino afirma ainda que a renúncia imediata de Sérgio Moro é necessária, pela preservação da Constituição e do Estado Democrático

A carta aberta pedindo a renúncia de Sérgio Moro deve ser entregue na tarde desta terça-feira

Repórter Fábio Buchmann