(Foto: Freepik)

Me lembro da casa dos meus pais há 30 anos nos domingos: na sala, a mesa cheia de comida e de gente. Todo mundo tagarelando, gargalhando, um barulho ensurdecedor.

Um dia esperado a semana toda. Mesa grande- sempre mais de 20 pessoas- entre família, parentes e amigos.

Tão importante quanto a comida, era a conversa. Ah, a conversa! Era quando se criavam afinidades e se aprendia sobre o mundo e as pessoas, com a experiência e com o conhecimento passado de geração para geração.

Não o conhecimento frio de hoje, ao alcance na Internet, mas o conhecimento com emoção, externado por quem viveu as situações que contava.

O almoço durava mais de 3 horas sempre.

O tempo passou, o mundo mudou.

Esses professores de vida foram sendo substituídos por professores de solidão: smartphone, televisão, DVD, e-mail, Facebook e todas as fontes modernas de distração que nos afastam do ser humano.

As casas não têm mais sala de visitas e ninguém entra mais nas casas dos outros; nem na vida dos outros.

Cada um na sua e ninguém na de ninguém.

Agora combina-se uma saída num bar ou numa balada.

Os lares se transformaram em casas de retiro, locais vazios, sem conversa, sem emoção, sem calor humano e sem identidade.

Mas dizem que isso traz a paz. Olha, pode até ser, mas leva embora a emoção e a alegria de conviver e viver.

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