Foto: Reprodução/SMCS

Passei dos 60 anos e meus filhos perguntam: pai, por que você não tira a carteira de idoso na Prefeitura?

E eu respondo: primeiro porque não sou idoso. Idoso é quem não tem uma razão para levantar todo dia, é quem não produz ou quem tem dificuldades para se locomover, para enxergar, para ouvir. É gente que perdeu a saúde, às vezes, por não cuidar dessa incrível máquina chamada corpo, desenhada pelo maior arquiteto do Universo.

Segundo, digo para eles, porque tenho vergonha. Se sou saudável, se corro no parque toda semana, se faço yoga, porque vou entra na fila preferencial do banco para ser atendido antes daqueles que ainda trabalham e só tem a hora do almoço para resolver seus problemas? Aliás, continuo trabalhando, pois acho que isso vai me levar mais longe na vida, porque tenho muito que ajudar esse país na área que escolhi para trabalhar.

Por isso, acho triste ver um homem maduro, sessentão, sair da sua corrida matinal no parque e, embora tenha direito, não tenha consciência de que ao ocupar uma vaga no estacionamento reservada para idosos tira lugar de quem realmente precisa.

Não vamos mudar esse país indo só atrás de direitos que não se coadunam com a sociedade contemporânea, com a longevidade crescente e com a tecnologia hoje presente.

É normal, porém, em todos os países, definir-se uma idade média para rotular quem é idoso.

No Brasil, me desculpem, mas somente para lá dos 65 anos é que podemos justificar um tratamento diferenciado ou uma aposentadoria integral.