Foto: Divulgação/EBC

Fiz 7 anos de Colégio Militar, uma instituição pública. Devo muito da minha formação ao que vivi lá. Na sala de aula, mas muita coisa fora dela.

Talvez algumas das mais importantes sejam a disciplina e o respeito à hierarquia.

O capitão se submete ao major, que se submete ao tenente-coronel, que obedece ao coronel, que segue rigorosamente o que o general lhe determina.

Nos próprios atos percebemos esse respeito e posição. Afinal o que representa a continência com que se cumprimentam.

Pois é, disse tudo isso, para analisar o momento político brasileiro. Temos como autoridade máxima da nação o presidente da república.

Um superior, nas forças armadas, não está acostumando a negociar com um subalterno. Ordens não se discutem e, ao levar a proposta de reforma da previdência à Câmara de Deputados, não esperou outra coisa que não fosse aprovada.

Infelizmente, não funciona assim na democracia.

Para demonstrar quem manda, o presidente da Câmara botou outra PEC, algo difícil de ser votado- por exigir 308 deputados favoráveis- e ela foi aprovada em 2 turnos numa mesma noite.

Resumo: o Rodrigo Maia deu o recado: aqui quem manda somos nós.

Dessa atitude infantil dos deputados tira-se duas conclusões: primeira, mais importante, é que é possível sim aprovar a reforma da previdência rapidamente. Segunda, sem negociação, não vai andar. E aqui não digo negociação espúria, não republicana, mas negociação em torno de emendas que deem dinheiro para os deputados aplicarem em obras e serviços em seus municípios.

A reforma precisa disso.