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Há 100 anos, o trabalho era no campo, havia necessidade de mão de obra e os brasileiros tinham muitos filhos – média superior a 8. O filho mais novo era a previdência dos pais idosos, pois devia mantê-los até a morte.

O mundo mudou, o trabalho mudou, o feminismo chegou, a tecnologia revolucionou e, hoje, as pessoas, majoritariamente, moram nas cidades e a média de filhos por brasileira não chega a 1,8.

Neste novo cenário, o processo se inverteu e, por incrível que pareça, hoje, são os pais idosos que têm que cuidar dos filhos crescidos.

Segundo estudo divulgado pelo Estadão, 10,8 milhões de brasileiros dependem da renda de idosos aposentados para viver. Só no último ano, cresceu 12%.

Como exemplo, o metalúrgico aposentado Antônio Alves de Souza, de 72 anos, sustenta, com uma renda de R$3 mil, três filhos desempregados de 26, 32 e 36 anos. Eles não moram juntos, mas fazem todas as refeições, tomam banho na casa de Souza e a ele recorrem para pagar as contas.

Isso aconteceu, também, na Espanha, no período mais agudo da recessão recente. Economistas rotularam os idosos espanhóis de heróis silenciosos da crise, por bancarem financeiramente filhos e netos e evitarem um colapso social.

Ocorre que a previdência social aqui está encolhendo e, no futuro, mesmo querendo, os pais não terão recursos para ajudar filhos em dificuldades.

Olha, enquanto não aprendermos a poupar mais – seja para a velhice, seja para emergências – dependeremos de caridade para viver. Quem viver, verá.

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