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A cena mais deprimente para quem visita a bela Santiago do Chile são os idosos dormindo embaixo de marquises, abandonados à sua própria sorte.

Muitos pensam que são mendigos ou gente que nunca teve oportunidade na vida.

Pois se enganam. Trata-se de gente que, por vinte anos, contribuiu com 10% do seu salário total para a previdência e quando foi receber sua aposentadoria deparou-se com somente meio salário mínimo para sobreviver na velhice.

Isso mesmo, amigos ouvintes, professores, engenheiros, administradores ganham lá de aposentadoria meio salário mínimo.

O problema é que esses idosos não têm mais como remediar o passado. Falta-lhes tempo de vida para construir um futuro melhor.

Estamos discutindo nossa reforma agora e isso tem que ser tratado com a maior seriedade, pois não podemos ser amanhã o Chile de hoje, no que diz respeito à previdência.

Essa é a razão porque combato a proposta de simplesmente importar o modelo chileno.

Há vinte anos, quando fizemos a reforma no Paraná, com a implantação da Paranaprevidência- primeiro fundo de previdência capitalizado do setor público no Brasil- fui chamado pelo Banco Mundial para analisar a adoção do modelo recém implantado no Chile por José Piñera.

Fui contra, não aceitei a sugestão e prognostiquei a falência do modelo. Pena que eu estava certo. Pena dos velhinhos que não têm do que viver.