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As perdas, infelizmente, são a forma mais efetiva de aprendizado de qualquer nação.

Quando visitamos os Estados Unidos ou a Europa nos damos conta disso.

Uma guerra civil e duas guerras mundiais ensinaram muitas coisas a americanos e europeus.

O respeito ao próximo, as normas e leis duras quando a liberdade de um invade a liberdade do outro, quando o direito de um suplanta o direito do outro, a mão pesada do Estado e a justiça fazem com que muitos daqueles países pareçam intransigentes.

No ano passado, estive na Polônia e, dirigindo, fui parado por um carro descaracterizado, acendendo luzes azuis, no centro de Lublin. Era da polícia. Sim, lá a polícia está na rua e ninguém percebe. Pediram os documentos e, imediatamente, fizeram em mim o teste do bafômetro. Me informaram que uma miligrama de álcool no sangue teria dado cadeia, pois, lá, seja prefeito, deputado, juiz, governador, embriaguez no trânsito resulta em um ano de cadeia, inafiançável.

Me perguntaram se fui alertado quando aluguei o carro. Eu disse que não. Percebi que fotografaram o documento e aquilo ia, provavelmente, trazer consequências para a locadora.

Perguntei, então, porque tamanho rigor.

O policial me disse: no Brasil vocês tomam cerveja, aqui é vodka, e até cair. Perdemos milhares de irmãos nossos em acidentes de trânsito, até aprendermos que o carro é uma arma na mão do embriagado.

O rigor da lei também ensina.

Pergunto: como seriam tratados os responsáveis por mais de 350 mortos em Brumadinho se isso acontecesse na Polônia?