Foto: Reprodução/EBC

Me lembro que, quando era jogador de futebol, em início de temporada, levava um tempo para as melancias se assentarem na carroceria. Isso, levava tempo para que um jogador se adaptasse às características do outro e ao esquema tático do treinador.

Quando vejo o governo Bolsonaro dando cabeçadas, um ministro desdizendo o outro, não me apavoro quanto ao futuro. As melancias ainda estão se adaptando aos seus espaços.

O mais importante é a qualidade das melancias, e nisso sou otimista, pois os ministros escolhidos, na sua maioria, são competentes, sérios e bem-intencionados.

Mas, como em qualquer time de futebol, só bons jogadores não ganham títulos.

Tem que haver liderança e espírito de grupo.

Isso leva um tempo. O líder vai brotar naturalmente e o tempo trará o espírito de grupo.

A reforma da previdência é o teste inicial para testar a unidade do governo.

Ocorre que a unidade tem que ser em torno de um projeto…e este ainda não existe.

Existem propostas distantes da realidade, elaboradas por acadêmicos que não conhecem o modus operandi do Parlamento e que buscam o modelo ideal que, normalmente é o mais distante do possível.

Mais: aprendi nos meus mais de 32 anos trabalhando com previdência que este é um tema complexo e, por isso mesmo, difícil de ser compreendido.

Tão importante quanto uma boa proposta é a arte de comunicá-la. Não vejo nem um nem outro, mas torço para que surja um líder no governo que coloque tudo no seu devido lugar.