Foto: Divulgação / EBC
Terrazza Panorâmico

Cenário político definido e solo mais firme adiante. É o que pode garantir o reaquecimento econômico, em especial após as eleições. A análise é do professor da Fundação Getúlio Vargas e assessor econômico da Federação das Associações Comerciais e Empresariais do Paraná, Arthur Igreja. Para ele, a tendência de pessimismo já vivenciada ou projetada em diversos setores da economia deve perdurar até que estejam definidos os rumos das eleições.

O quadro atual de incertezas está muito ligado às numerosas incógnitas no processo, desde a quantidade pulverizada de pré-candidaturas até a falta de nomes despontando como favoritos. Com a dissolução dessas indefinições, as perspectivas para 2019 melhoram muito, afirma Igreja.

Em levantamento feito pela Fecomércio, aponta-se um empresariado cauteloso: 46% dele considera a recuperação econômica plausível, mas não antes de dois ou três anos, cenário que pode ser diferente, diz o especialista. Entretanto, destaca que é preciso considerar não só quem vai levar presidência e os governos, mas também como fica a configuração dos legislativos para saber como avança a chance de crescimento e reaquecimento do país.

Pesquisas feitas pela federação das indústrias em meses recentes já têm demonstrado tendências de pessimismo e a federação do Comércio, Turismo e Serviços apontou a mesma perspectiva para o segundo semestre.

O índice de empreendedores que afirmaram ter boas expectativas é o menor em dois anos: de 52% após encolher 7 pontos na comparação com o primeiro semestre. Ao mesmo tempo a fatia de pessimistas cresceu ainda mais, de 12% para 20,6% de empreendedores que acreditam em um semestre desfavorável.

O cenário, diz a Fecomércio, tem relação com a já citada indefinição pré-eleitoral, mas soma-se às incertezas econômicas e a desmotivação causada pela greve do setor de transportes, que travou o país em maio e produziu como consequências o aumento no preço do frete e de diversas mercadorias.

Para Arthur Igreja esses efeitos persistentes da paralisação têm especial impacto sobre a confiança dos setores e é comparável a outro evento, de 2017.

O assessor econômico destaca que as perspectivas atuais, de receio tanto do empresariado quanto do consumidor, impedem grandes mudanças de rota antes das definições de outubro.

Repórter Cristina Seciuk

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