Foto: Tabata Viapiana

Durante uma audiência pública para debater as “dez medidas de combate à corrupção” propostas pelo Ministério Público Federal, o juiz Sérgio Moro disse que o “Congresso precisa demonstrar de que lado se encontra nesta equação”.

O juiz Sérgio Moro participou de uma audiência pública, na manhã de hoje, na Assembleia Legislativa do Paraná, para discutir as “dez medidas de combate à corrupção” propostas pelo Ministério Público Federal. Ao lado dele, também estavam na mesa de debate os procuradores Deltan Dallagnol e Roberson Pozzobon, integrantes da força-tarefa da Lava Jato no MPF de Curitiba.

Moro, aplaudido de pé pelo público que lotou o Plenário da Assembleia, foi recepcionado com gritos de “viva Sérgio Moro” e “transformador do Brasil”.

A palestra do juiz foi rápida. Ele defendeu as “dez medidas” e disse que, apesar da corrupção existir no mundo inteiro, ela se tornou sistêmica no Brasil, ou seja, deixou de ser um ato isolado e se tornou uma prática comum. A regra do jogo, segundo Moro, era pagar propina em contratos com o poder público.

De acordo com o juiz, as medidas sugeridas pelo MPF são relevantes e trazem ganhos para o sistema criminal. Ele disse que as pessoas precisam ter fé nas instituições, e que agora, é hora de o Congresso demonstrar de que lado se encontra nessa equação.

O procurador Deltan Dallagnol afirmou que, para acabar com a corrupção, é preciso reformar todo o sistema, pois o Brasil tem um histórico ruim de combate a crimes de colarinho branco. O procurador, que também foi bastante ovacionado pelo público, explicou como a Lava Jato pode colaborar com a melhora do país.

Deltan afirmou que no Brasil as punições viram pó e que não se pode generalizar e dizer que todos os políticos são corruptos. E comparou o sistema penal brasileiro com o de outros países que seriam símbolos da democracia, como os Estados Unidos.

Já o procurador Roberson Pozzobon, também aplaudido, afirmou que a estimativa é de que os desvios em contratos com o poder público passem de R$ 100 bilhões por ano. Ele também criticou a impunidade relacionada à corrupção.

A audiência pública foi organizada pela Comissão Especial da Câmara dos Deputados responsável por analisar o projeto de lei de iniciativa popular que institui as “dez medidas de combate à corrupção”. O MPF colheu, em todo o país, mas de dois milhões de assinaturas em apoio à proposta. Com isso, no mês de junho, foi criada a comissão, presidida pelo deputado Joaquim Passarinho, do PSD, e que realizou 31 sessões, 28 audiências públicas e ouviu mais de 100 pessoas.

Repórter Tabata Viapiana

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