A força-tarefa da Lava Jato classificou como equivocada, individual e isolada a decisão do ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal, que suspendeu o cumprimento de pena por parte de presos após condenação em segunda instância. A decisão pode garantir soltura a milhares de presos, dentre os quais o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, condenado a 12 anos e um mês por corrupção e lavagem de dinheiro no processo do tríplex do Guarujá.

Em coletiva convocada às pressas, o procurador Deltan Dallagnol, coordenador do grupo, evitou falar especificamente sobre o petista, mas afirmou que o caso ilustra os efeitos “potencialmente catastróficos” da decisão.

O coordenador da Lava Jato afirmou ainda que a liminar concedida pelo ministro “consagra a impunidade” e cobrou que os ministros do Supremo levem em conta os desejos da sociedade e os possíveis efeitos sociais de suas decisões, procedimento classificado por ele como legítimo.

Outro integrante da força-tarefa, o procurador Diogo Castor de Mattos, reclamou da atitude tomada por Marco Aurélio Mello que, monocraticamente e na véspera do recesso, decidiu contrariamente à corte.

Em análise mais geral, o coordenador da força-tarefa disse que a decisão de Marco Aurélio Mello fragiliza a Lava Jato. Ao fazer o comentário, Dallagnol mencionou cansaço causado por medidas que, nos últimos anos, passaram a prejudicar as investigações.