Foto: Arquivo / AEN
Terrazza Panorâmico

O Coronel Washington Lee Abe, comandante do 5º Comando Regional da Polícia Militar do Paraná, na região oeste do Estado, criticou o que ele chamou de tentativa de transformar a vereadora carioca Marielle Franco em mártir. A opinião foi expressa em uma carta, divulgada por meio do Whatsapp a partir da assessoria do coronel.

Ele questiona a representatividade da vereadora e o alarde em torno do assassinato. No texto, o coronel Lee usa a palavra pessoa entre aspas na seguinte frase:

“E quando morrermos em combate, tentando salvar uma vida inocente que clama pela nossa presença, vamos aguardar pacientemente os políticos, a imprensa, autoridades que estão fazendo todo esse alarde pela morte dessa ‘pessoa’ intitulada vereadora, promotora dos direitos humanos, mãe, homossexual (como ela mesma se apresenta) fazerem também o mesmo alarde exigindo respostas rápidas e firmes das autoridades?”.

Na carta, divulgada nesta sexta-feira (16), o coronel lembra as mortes de policiais militares durante o serviço e pergunta se os oficiais são mortos por cidadãos de bem. Por fim, ele traz que os policiais têm uma missão muito maior do que o que ele chamou de “essa mesquinharia”.

O partido da vereadora, o PSOL, em Cascavel, publicou uma nota de repúdio nas redes sociais contra as declarações do coronel da PM.

O PSOL avalia que “o comandante, de forma precipitada e inapropriada, tenta inocentar a possibilidade da execução por parte de milícias policiais. Uma nota que peca pela insensibilidade, ofende e demonstra despreparo e falta de isenção ideológica de um Comandante que ocupa alto posto dentro da hierarquia militar do Paraná”.

A publicação ainda cita: “quem transformou Marielle em ‘mártir’ é quem assim a classificou. Ela, o motorista Anderson e suas famílias sofrem um ataque sórdido e desumano em um momento de profunda dor. Um ataque de quem deveria ‘Servir e Proteger, de quem deveria zelar pela vida humana”.

A Polícia Militar, procurada pela reportagem da CBN, informou pela assessoria de imprensa apenas que o Coronel Lee emitiu a opinião dele e que a corporação não vai se manifestar sobre o assunto.

Repórter Joyce Carvalho

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